quarta, 24 de fevereiro de 2021

Literatura
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Escritor Tiago Germano faz ‘vaquinha’ para lançar primeiro livro

André Luiz Maia / 18 de julho de 2017
Foto: Gabriel Munhoz/ DIVULGAÇÃO
Independência. Mesmo não pronunciada com todas as letras, é a palavra que se identifica nos discursos de quem utiliza o financiamento coletivo como ferramenta para realizar projetos artísticos. Também chamada de crowdfunding, a famosa "vaquinha" já foi utilizada por alguns artistas paraibanos. Comente no fim da matéria.

Quem está apostando no recurso é Tiago Germano, que lançará seu primeiro livro de crônicas, Demônios Domésticos, em setembro. O escritor e jornalista está atualmente no Rio Grande do Sul cursando doutorado em escrita criativa pela Pontifícia Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e assinou um contrato com a editora Le Chien. Como não tinha uma contrapartida, sugeriu o crowdfunding como alternativa. Em apenas 10 dias, a campanha na plataforma Catarse (https://www.catarse.me/demoniosdomesticos) já arrecadou pouco mais de 60% da meta, estabelecida em R$ 6,7 mil.

De acordo com Tiago, o que ele nota de vantajoso nesse tipo de estratégia é o engajamento que a campanha promove. "Soube de uma escritora aqui de Porto Alegre que mobilizou amigos para apoiar o projeto com uma cota maior. Fiquei muito contente quando soube disso. E também é importante a rede de artistas que a gente envolve com o projeto. Com o dinheiro do crowdfunding, a gente tá pagando à artista do projeto gráfico de maneira adequada, de maneira mais livre", pontua o escritor.

Demônios Domésticos traz uma coletânea de crônicas que vão desde os primeiros escritos de Tiago Germano na área, em jornais como A União e seu suplemento literário, o Correio das Artes. O texto que abre o livro, "Óculos Ray-Ban", venceu no ano passado o Prêmio Sesc Rubem Braga, do Distrito Federal, de melhor crônica.

Por meio das crônicas, conhecemos o ponto de vista do autor em diversos aspectos da vida, desde a infância até a vida adulta. Para a edição de 2017, no entanto, foi preciso algumas modificações e notas de rodapé. "Tem muita coisa que no contexto de hoje precisa de uma explicação. Uma das minhas crônicas fala sobre o Orkut, por exemplo. De certo modo, esse livro é um retorno ao primeiro eu, quando começou a escrever literatura", comenta Tiago.

Outro exemplo paraibano de crowdfunding é o da banda Seu Pereira e Coletivo 401. O projeto, realizado no início do ano passado, foi feito para financiar a realização do segundo disco da banda, Eu Não Sou Boa Influência Pra Você. Quase 600 pessoas apoiaram a iniciativa, que necessitava de R$ 34,4 mil para acontecer, no esquema "Tudo-ou-nada". "Achamos que no início o projeto não ia pra frente, mas nos últimos 10 dias a gente notou crescimento muito grande. Foi uma experiência muito interessante", pontua Jonathas Falcão, vocalista da banda. No fim das contas, a meta foi ultrapassada, arrecadando cerca de R$ 44,3 mil.

Sobre repetir a estratégia, o vocalista afirma que há planos. "A gente sente uma liberdade maior. Percebemos que temos público e queremos investir mais nessa modalidade". O disco encontra-se em processo de prensagem e deve ser lançado no segundo semestre de 2017.

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