quarta, 20 de janeiro de 2021

Literatura
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Engano na crucifixão; é a nova coluna de João Trindade

João Trindade / 16 de abril de 2017
Foto: Divulgação
As grandes personalidades da história costumam ter diversas biografias acerca delas. No caso específico de Jesus Cristo, várias são as obras que tentam desvendar certos mistérios. Algumas são fanáticas em excesso; outras, sectárias, sem qualquer fundamento documental.

Há um livro muito interessante acerca da vida de Jesus, que apesar de ter defeitos, por conter pouca prova documental, mas muita prova bibliográfica, de que gostaria de lhe falar agora, leitor. Trata-se de A Verdadeira História de Jesus, de Cyro de Moraes Campos. É um livro intrigante e, de certa forma, suspeito, porque o autor é francamente contrário ao cristianismo; mas não deixa de dizer muitas verdades que provam terem os evangelhos falseado a vida de Jesus; verdades estas afirmadas, também, por Danilo Nunes (com provas documentais); este último, mais sereno e insuspeito, por ser católico e haver sido membro da Igreja.

Verdades que os evangelistas escondem (estas sim, já provadas): Jesus teve irmãos; Judas não tinha motivo de trair Jesus por dinheiro, já que era homem da confiança de Jesus e tesoureiro do grupo. Poderia ter tirado mais do que “trinta dinheiros”, se o quisesse. A “traição” de Judas, segundo Danilo Nunes, se deu por motivos ideológicos; Zelote que era, assim como Barrabás.

Vamos à história da crucifixão, segundo Cyro de Moraes Campos:

Após a entrada triunfal em Jerusalém, os membros da igreja de Cafarnaum, liderados por Jesus,  foram isolados no Monte das Oliveiras, proibidos de voltar a Jerusalém até para a cerimônia de páscoa. O capitão judeu, da polícia sacerdotal, responsável pela ordem, tencionara relaxar a prisão dos galileus, para que Pilatos, o mais terrível dos procuradores romanos, não tomasse conhecimento do incidente. Não tardou a intervenção de Roma, visto que os comerciantes que estavam no templo, vendo-se prejudicados, reclamaram ao governo.

Após a refeição santificada do quiddush, na quinta-feira, à noite, para evitar possíveis represálias por parte do povo os soldados romanos encontraram Jesus e prenderam-no como chefe, deixando que os outros fugissem.

Para infelicidade de Jesus, destacara-se, naqueles dias, um certo Jesus Barabbas, sicário perigoso, que provocara, entre outros delitos,  a morte de um homem. Também alucinado pelo reino dos céus, pretendia, como muitos judeus, um pronunciamento imediato de Yahve. Fora preso ao mesmo tempo que seu homônimo Galileu, e o centurião levou a Pôncio Pilatos o nome dos prisioneiros, relatando-lhe as causas das prisões. E tendo o procurador adiado a sentença, ao amanhecer do dia seguinte confundiu acusações e apelidos, destinando Jesus Nazoreu à cruz, tortura com que pretendia castigar o crime de Jesus Barabbas. Este, pois, foi solto por engano.

Sem discutir as ordens, o centurião providenciou o cumprimento do despacho. Jesus morreu sozinho, pois os irmãos e companheiros não se chegaram à cruz. Não conseguiriam chegar a ela, pois não teriam consentimento para tal, já que a guarda romana conhecia o gênio irascível dos judeus.

Eis a história contada por Cyro de Moraes Campos. Como disse, não é minha intenção defendê-la como verdade. Cabe ao leitor uma reflexão.

 

 

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