quarta, 25 de novembro de 2020

Literatura
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Em outubro, João Pessoa vai receber o Mulherio das Letras

André Luiz Maia / 07 de julho de 2017
Foto: Rafael Passos
Se pensarmos em nomes consagrados da literatura, dificilmente poderemos fazer uma lista que não tenha uma mulher. Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Cecília Meirelles, Adélia Prato, Hilda Hilst, isso só citando as brasileiras e muito renomadas. Se abrirmos a lista ainda mais, mais nomes surgem, de todas as gerações. No entanto, a disparidade entre homens e mulheres parece persistir. Comente no fim da matéria.

No início do ano, a revista Bravo! voltou à ativa e sua nona edição gerou desconforto, já que todos os indicados da categoria Literatura foram homens. O que poderia ser apenas uma coincidência se acentuou ao verificar o histórico da edição: em todas as oito edições anteriores, apenas homens foram premiados. Mas isso é apenas a ponta do novelo.

Diante dessa ausência das mulheres em espaços de reconhecimento, surge o Mulherio das Letras, que realiza seu primeiro encontro nacional entre 12 e 15 de outubro na capital paraibana. Com a proposta de um movimento coletivo, horizontalizado, sem líderes definidos, milhares de escritoras começaram a se organizar através de grupos fechados nas redes sociais. Maria Valéria Rezende é uma delas.

"Na verdade, tudo começou na Flip do ano passado. Havia uma homenagem a uma mulher, a Ana Cristina César, no caso, mas mesmo assim percebíamos que havia um problema forte de representatividade. No segundo dia, acabamos fazendo uma reunião com várias escritoras, fora da programação, algo mais informal, e inevitavelmente o tema surgiu. Alguém levantou o termo, se referindo a nós como um 'mulherio das letras'. O nome ficou", conta a escritora santista radicada na Paraíba em entrevista ao CORREIO.

Da reunião física, veio a ideia de um grupo no Facebook e o que era apenas um grupo de discussão para pensar em como levantar a bandeira da literatura feita por mulheres acabou agregando cada vez mais pessoas. Foi aí que veio a ideia de fazer um evento. "Na verdade, eu fiquei bastante impressionada com a proporção que tudo teve. Na medida em que fomos organizando, tudo por conta própria, outras iniciativas surgiram pelo Brasil, espécie de encontros regionais do Mulherio", conta Valéria.

Em Porto Alegre, o primeiro encontro do Mulherio do RS foi realizado dia 8 de abril, seguido de um segundo encontro em 23 de maio, produzindo uma série de propostas, ações e manifestações. Em São Paulo, para um primeiro encontro, elas se reuniram na Casa das Rosas no mês de maio, reunindo mais de 30 escritoras. “Em comum, há uma necessidade de expressão, de compartilhamento da escrita e, pelo o que percebi, todas ficaram contentes de encontrar mulheres com pontos de vista parecidos, embora divergências também tenham sido esboçadas”, afirmou a escritora Susana Ventura, em material de divulgação do evento.

Outras cidades que também já realizaram encontros foram Brasília e Santos, mas até mesmo fora do país o movimento ganha repercussão. "Agora a gente tem um programa na rádio Terra da Fraternidade, lá em Portugal. As escritoras brasileiras que moram por lá acabou fazendo um movimento do Mulherio na Europa e estão realizando encontros", comenta Maria Valéria.

Durante o encontro nacional do Mulherio, a ideia é lançar o edital para o prêmio Carolina de Jesus, destinado às mulheres escritoras que ainda não foram publicadas em livro solo.

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