sexta, 27 de novembro de 2020

Literatura
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‘Em Busca do Tempo Perdido’ ganha uma nova e luxuosa edição

Renato Felix / 21 de agosto de 2016
Foto: Divulgação
Em 2013, Em Busca do Tempo Perdido completou 100 anos de lançamento, consagrado como uma das obras seminais da literatura mundial. Não é um livro, mas uma coleção deles: Marcel Proust escreveu sete romances, que somam quase 2.500 páginas em sua nova edição brasileira, que está sendo lançada pela Nova Fronteira uma luxuosa caixa que acomoda a obra em três volumes.

Essa divisão é a mesma com que a editora já relançou a obra em outras ocasiões, como em 2002. Os sete romances são No Caminho de Swann (1913); À Sombra das Moças em Flor (1919), no volume 1; O Caminho de Guermantes (1921), Sodoma e Gomorra (1922), no volume 2; A Prisioneira (1923); A Fugitiva (1927); e O Tempo Recuperado (1927), no volume 3.

O título da série não é à toa: o tempo e a memória são assuntos cruciais. É bem famoso o recurso do romance final, em que o protagonista revive memórias detonadas por cheiros, sensações, como o paladar ao comer o doce madeleine.

Uma cena tão poderosa que é evocada nos herdeiros mais insuspeitos, como o longa animado Ratatouille ( 2007), quando o crítico de gastronomia prova o rataouille e lembra da infância.

Prosa difícil e livros póstumos

Uma obra tão extensa é um desafio e um tanto intimidadora para qualquer leitor. Também não é fácil definir uma sinopse. É a vida de Marcel, que deseja se tornar escritor. No meio disso, estão reflexões sobre questões da vida, a homossexualidade e a presença da memória, controlada ou não pelos personagens, muitas vezes disparada por um gatilho inesperado.

A homossexualidade é uma questão que o autor aborda diretamente, principalmente em Sodoma e Gomorra. Sem dúvida, uma ousadia para aqueles primeiros anos de século XX.

A tradução é do poeta Fernando Py, que se encarregou também de escrever prefácios para cada um dos volumes. Como tradutor, ele sucede outros heróis que também verteram os romances de Em Busca do Tempo Perdido para o português: Mário Quintana traduziu os volumes de 1 a 4, Manuel Bandeira e Lourdes Souza de Alencar ficaram com o quinto, Carlos Drummond de Andrade ocupou-se do sexto e Miguel Pereira com o último. Py traduziu a obra em 1992, trocando, por exemplo, o título À Sombra das Raparigas em Flor pelo mais brasileiro e menor português À Sombra das Moças em Flor.

Não é só o volume de páginas que assusta os leitores. A prosa de Proust exige concentração, dizem os especialistas. Mas não é de hoje. Proust teve dificuldades para publicar os livros e cartas de arrependimento de editores que recusaram a obra hoje são vendidas por altas quantias em leilões. Foram quatro recusas no total - na quinta, conseguiu que o primeiro romance fosse aceito.

Por outro lado, não há uma exigência de que a leitura siga rigidamente a ordem de publicação dos romances. “Como os episódios da obra não foram dispostos em uma ordem cronológica rígida, é possível, sim, ler os volumes fora da ordem”, disse Ana Carla Sousa, editora da Nova Fronteira, ao jornal baiano A Tarde.

O próprio Proust escreveu antes o primeiro e o último livros. Revisava os originais obessivamente. Seus três romance finais foram publicados após sua morte, em 1922.

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