segunda, 21 de setembro de 2020

Literatura
Compartilhar:

Di Cavalcanti de volta: livro sobre o pintor traz textos publicados na imprensa

Kubitschek Pinheiro / 01 de maio de 2016
Foto: Divulgação
Os admiradores da obra de Di Cavalcanti ganham nesse mês de maio o livro “Di Cavalcanti – Conquistador de Lirismos” com uma parte importante de sua obra, que corresponde aos anos de 1925 a 1949, em publicação da Editora Capivara com curadoria de Denise Mattar, (responsável pela mostra homônima em exibição na galeria Almeida e Dale, em São Paulo) e prefácio de Elisabeth Di Cavalcanti, filha do pintor.

A edição que reúne 200 obras de Di marca o retorno do importante artista brasileiro ao mercado editorial do país. Um dos mais produtivos artistas nacionais, Di Cavalcanti tem poucas publicações sobre seu trabalho.

Em entrevista ao CORREIO, a curadora Denise Mattar disse que o convite veio da Galeria Almeida e Dale, que desenvolve desde 2014 um projeto de apresentação de exposições dos grandes nomes do modernismo. “Entre as mostras realizadas na galeria, todas com minha curadoria e complementadas por bons catálogos, estão: Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard, Portinari e Ismael Nery”.

No prefácio, Elisabeth Di Cavalcanti, ressalta que “em vida, Di Cavalcanti quis reunir fatos de sua trajetória; de sua obra. Di desconhecia disciplina, salvo quando se punha a criar”. O trabalho de organização do livro iniciou-se há três anos. A pesquisa, no entanto, é um trabalho que consumiu treze anos. “Sozinha. Particularmente, não acho isto ‘extraordinário’, mas sim o que me impulsiona: admiração enorme, sempre renovada, por sabê-lo único em sua inteligência, sensibilidade e vivência.”, revela a filha.

Em 1997, Denise foi responsável pela grande mostra comemorativa do centenário de nascimento de Di Cavalcanti, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, e depois no Museu de Arte Brasileira da FAAP.

Neste livro ela analisa artigos publicados em jornais já extintos sobre a obra de Di Cavalcanti, uma pequena fração dos artigos escritos sobre a obra do artista. Entre os textos, destacamos um do paraibano José Lins do Rego que é um comentário publicado no jornal “O Globo” sobre uma exposição de Di Cavalcanti na Associação Brasileira de Imprensa, em 1946.

“É um texto curto que reafirma a força do trabalho de Di num momento em que o artista parecia estar distante da sua obra, trabalhando em muitas outras frentes, até como cronista social para jornal”, afirma a curadora.

Vejamos o que escreveu o autor de Menino de Engenho: “Tudo pode ele ter feito com mãos traquinas; pintura ele sempre faz com mais grave e a mais segura compreensão de seu dever de artista. O seu trabalho é de mouro, desde que se encontra diante de uma tela. Para ser o grande pintor que é, pintor de ofício e pintor de imaginação poderosa, ele se transforma no homem que não transige com o que lhe diz respeito à arte. E é assim um homem de bem na sua pintura, integro, superior em muitos sentidos dos seus contemporâneos”.

Há também na obra textos de Sérgio Milliet e Mário de Andrade. “Tanto Mario de Andrade quanto Sérgio Milliet foram nomes importantes para a critica de arte brasileira e grandes incentivadores do modernismo. Nos textos selecionados para o livro, Mario ressalta a brasilidade da obra de Di, enquanto o de Sérgio Milliet faz uma breve retrospectiva da vida do artista até 1944”, fecha Denise.

Relacionadas