terça, 29 de setembro de 2020

Literatura
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Braulio Tavares lança em Campina Grande ‘manual’ da cantoria

Astier Basílio Especial para o CORREIO / 20 de dezembro de 2016
Foto: Divulgação
E as pessoas que vão ouvir cantadores pela primeira vez, como elas vão entender aquilo? Foi o que se perguntou o escritor Braulio Tavares quando, em 1979, integrava a comitiva da Viagem dos Poetas ao Brasil. O organizador do evento, um italiano chamado Giuseppe Baccaro, que faleceu agosto passado aos 86 anos, topou a ideia e mandou imprimir 50 mil exemplares de um folheto intitulado Cantoria: Regras e Estilos, distribuídos gratuitamente durante o percurso.

Em edição revista e bastante ampliada, o livro agora é o volume 1 de Arte de Ciência da Cantoria de Viola, que será lançado hoje, a partir das 19 horas, no Museu de Arte Popular da Paraíba, o Museu dos Três Pandeiros, em Campina Grande. Além de conversa com o autor, haverá a apresentação do jovem cantador Felipe Batista.

O livro se divide em três capítulos, “A cantoria e o Cantador”, “Os estilos da Cantoria” e “O mote e a Glosa”. O trabalho é um testemunho de anos de pesquisa e convívio com a cantoria. As relações com o universo do repente iniciaram muito cedo na vida de Braulio. Ainda estudante, ouvia o programa de rádio Retalhos do Sertão, comandado pelo cantador José Gonçalves.

Após uma temporada em Belo Horizonte, onde estudou cinema, Braulio, agora estudante Ciências Sociais da então UFPB, em Campina Grande, a pedido da turma do DCE, recepcionou os repentistas Moacir Laurentino e Ivanildo Vila Nova, líder de uma geração que estava mudando a cantoria.

Vila propôs, no começo dos anos 1970, que Braulio escrevesse com ele um livro sobre cantoria no qual se comparava a nova geração dos repentistas com a antiga. “Não era bem o que eu pensava em fazer e o projeto acabou não indo adiante. Mas muito do material que recolhi naquele momento vim usar neste livro”, conta Braulio.

Ao mudar-se para Bahia, após passar um tempo atuando na organização dos festivais de violeiros de Campina Grande, Braulio não esqueceu da cantoria. Envolvido com teatro, integrou o elenco da montagem Oxente, Gente, Cordel, ocasião em que interpretava um repentista.

Em 2003, no disco Navegaita, do músico Flávio Guimarães, o repentista Sebastião da Silva interpretou a

“Balada de Robert Johnson”, com letra de Braulio, uma espécie de biografia em cordel do mais importante bluseiro americano, morto aos 27 anos, em 1938.

Com o lançamento do primeiro volume da trilogia, Braulio oferece ao público décadas de pesquisa, amor e dedicação ao ofício dos cantadores nordestinos.

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