segunda, 19 de agosto de 2019
Literatura
Compartilhar:

Biliu de Campina e Marco Di Aurélio discutem literatura de Cordel em JP

André Luiz Maia / 27 de dezembro de 2018
Foto: Reprodução
Cordel e forró carregam em suas gêneses pontos em comum. São expressões da cultura popular tradicional nordestina e se alimentam mutuamente ao longo de suas trajetórias.

Nesta quinta-feira (27), a Usina Cultural Energisa propõe um diálogo entre esses dois universos com um debate que contará com o cordelista Marco Di Aurélio e o forrozeiro Biliu de Campina. O bate-papo integra a programação natalina do espaço cultural da Energisa.

A ideia é que ambos discutam sobre as semelhanças entre as expressões e apresentem seus pontos de vista a respeito da situação atual do cordel e do forró.

O ano de 2018 ficou marcado como a época em que o cordel alcançou status almejado por muito tempo, o de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, título dado pelo Iphan às expressões artísticas que têm relevância história e social no Brasil.

O forró também corre atrás dessa patente, através de uma série de movimentações de forrozeiros de todo o país, que já se reuniram em fóruns e seminários realizados ao longo do ano, e propositura de debates na Câmara e no Senado Federal.

Expressões regionais

Marco Di Aurélio nasceu em Pernambuco, mas fez da Paraíba sua morada e também palco de sua militância em favor do cordel, que ele gosta de chamar de folheto. Para isso, não se furtou de utilizar outras mídias, como a televisão, o cinema e a fotografia para encampar discussões e promover a cultura do cordel.

O debate proposto pela Energisa, em sua opinião é salutar e pertinente com as discussões atuais a respeito da cultura nordestina. “A gente vai tentar dar uma injeção de autoestima, de orgulho, do que é a cultura da gente. É isso que eu e Biliu iremos defender nessa conversa”, define o cordelista.

Um dos aspectos primordiais do cordel que o torna merecedor do título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, salienta, é sua importância histórica e social em diversos aspectos, até mesmo no campo da educação. “O folheto teve um grau de importância muito grande no tempo em que ele servia como espécie de jornal, levando informação, e principalmente como uma ferramenta de alfabetização, levando o direito das pessoas a lerem”, completa Marco Di Aurélio.

O aspecto utilitário, de fato, já não é o mesmo, embora existam iniciativas dentro da rede de educação em utilizar o cordel como ferramenta pedagógica. No entanto, para o cordelista, o formato continua relevante por outros aspectos. “Agora, ele continua como um suporte bonito e válido na questão da liberdade vocabular, sendo um meio simples e barato de narrar histórias e lendas, ser livre de censuras, ser um espaço de criação de neologismos e de registro de expressão, do nosso jeito de falar. Ele provoca que a gente mantenha as lembranças dessas expressões regionalistas”, destaca Aurélio.

O forró, por outro lado, é diretamente vinculado a marcos culturais importantes da história recente do Brasil, como as festividades de São João, a se destacar Caruaru (PE) e Campina Grande, na Paraíba. Os eventos acabam atraindo olhares e ouvidos de brasileiros e estrangeiros para o gênero musical, que é a principal representação da cultura musical da região Nordeste.

Nos últimos anos, essas festas foram alvo de polêmica por diminuírem drasticamente a presença do forró dito “de raiz” em detrimento de atrações como sertanejo e outras expressões musicais. Tudo isso gerou um movimento reverso, em defesa do forró tradicional, que Biliu de Campina vê com otimismo, mas ressalta que esta é sua bandeira desde sempre.

“Eu vejo isso tudo como algo positivo, mas há 30 anos que venho falando disso. Sou um defensor incansável do forró de verdade, forró radical, de pé, cabeça e topo de serra. A palestra vai ser em torno disso. Não tem novidade, é só tradição mesmo”, salienta. O músico também destaca a proximidade que forró e cordel têm historicamente, o que também será alvo de discussão na conversa com Marco Di Aurélio.

“O cordel, o forró, o coco, o embolador, o repente, tudo deriva de uma mesma fonte. Existe esse forró safado, atrelado a modismos, que não é o nosso. Esse forró aí é fabricado, o nosso é inspirado. Não tem regra pré-estabelecida. É tudo espontâneo, instantâneo”, completa Biliu de Campina.

 

Relacionadas