terça, 25 de junho de 2019
Literatura
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Astier basílio reflete sobre a arte dos versos e faz balança de sua produção

André Luiz Maia / 14 de agosto de 2018
Foto: Divulgação
Duas décadas de poesia, representadas em um livro com capa dupla. O poeta, dramaturgo e jornalista Astier Basílio celebra este marco na carreira apresentando Variação Sobre o Mesmo Erro, seu 13º livro. Misto de escritos já publicados e conteúdo inédito, a obra é apresentada hoje em Campina Grande e amanhã em João Pessoa.

Publicada pela Mondrongo, o livro traz duas edições para o mesmo conteúdo, com diferentes capas feitas a partir do trabalho da fotógrafa russa Xenia Onufrievitch. "Foi meu editor, Gustavo Felicíssimo, que teve a ideia. De certa forma, cada capa seria a representação de cada década da minha trajetória", explica o poeta. Ao todo são 103 poemas, dos quais 64 já foram publicados antes e 39 inéditos. A publicação também contém trechos de opiniões e críticas de autores de todo o Brasil a respeito de sua obra, escritos por nomes como Alexei Bueno, Hildeberto Barbosa Filho, Alberto da Cunha Melo, Francisco Carvalho, entre outros.

Mais que uma antologia poética, esse resgate das obras anteriores são uma forma de fazer justiça aos escritos. “Antes de encontrar a Mondrongo, eu nunca tive muita sorte com boa parte das publicações. Teve algumas tiragens muito pequenas, de 50 cópias, muitas poesias que não chegaram às pessoas. Por conta disso, fiz essa seleção”, revela Astier Basílio.

Alguns desses textos foram retrabalhados, modificados e atualizados. Astier é um desses autores que não tem pudores em cavucar e remodelar. “Eu gosto dessa ideia de trabalho que continua indefinidamente. Para mim, as obras não têm fim, elas só estão dentro de um livro que tem um prazo para ser publicado”, justifica o poeta. Em meio às poesias inéditas, algumas bastante frescas, a exemplo de “Enquanto Moscou dança em precipícios”, oriundo de sua mudança para a Rússia.

Entre idas e vindas, foi quase um ano de vivência na capital russa, com o objetivo de estudar a língua e entender os meandros da literatura russa em sua originalidade. Neste poema específico, Astier vê na própria constituição da cidade como uma janela para reflexão.

“Variação sobre o Mesmo Erro pontua assuntos desse tipo o tempo todo. Falar sobre a cidade não é exatamente um exercício descritivo, mas uma metáfora para expressar sentimentos representados por essas imagens”, ressalta. Isso pode ser conferido em outro “poema geográfico”, como é o caso de “Borborema, Recife e Philipeia”.

Pernambucano de Vitória de Santo Antão, ele foi para Campina Grande muito cedo, onde estabeleceu raízes profundas com a cultura popular. Engana-se, no entanto, que as temáticas da poética de Astier se restringem à cultura popular. “Tem cinema, música. Fiz poemas dedicados a P. J. Harvey, Game of Thrones, Anderson Silva, Kurt Cobain, Sylvia Plath, Ingmar Bergman, Jomard Muniz de Brito, Ariano Suassuna, ao blues, é bastante amplo. Tem tudo aquilo que me formou enquanto pessoa e enquanto artista”, afirma.

Sua trajetória enquanto poeta se iniciou no fim de 1997, com a publicação de Sonetos Soltos no Vento (Edições Caravela, Campina Grande). De lá para cá, Astier reflete sobre o papel da poesia e de sua resistência diante de milênios de produção contínua. ”Tendo a pensar na poesia como uma espécie de inutilidade necessária. Em um mundo utilitarista, em que as pessoas buscam uma função prática para tudo, tendo convencê-las de que há a possibilidade de ter beleza na poesia que é necessária. Em certa medida, a poesia se aproxima da filosofia, por tentar refletir sobre sua própria realidade. O fogo criador para entender o mundo ainda é a poesia”, defende.

 

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