sábado, 20 de julho de 2019
Literatura
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Aos 71 anos, morre o escritor Ronaldo Monte, autor de dezenas de livros

André Luiz Maia / 17 de agosto de 2018
Foto: Reprodução
Em um dia de perdas, a literatura paraibana foi uma que deixou de contar com a presença do humor afiado e da literatura de qualidade de Ronaldo Monte. O poeta, professor universitário e psicólogo nascido em Alagoas e radicado na Paraíba há muitos anos faleceu na noite da quarta-feira, aos 71 anos. Além de dezenas de livros publicados, ele também deixa uma coleção de histórias envolvendo literatura.

Por muitos anos, foi integrante do Clube do Conto da Paraíba. Lá, entrou em contato com dezenas de escritores da cidade, trocando experiências e apresentando sua produção literária. Um desses escritores que tiveram a oportunidade de conviver com ele foi Roberto Menezes.

“Eu atribuo muito do meu crescimento enquanto escritor a Ronaldo. Ele sempre fazia críticas aos meus textos, sempre com a intenção de me fazer melhorar. Uma espécie de ‘avô literário’”, relata Roberto Menezes. Apesar de ser essencialmente um poeta, seus contos apresentados no clube sempre surpreenderam Roberto.

Para o escritor, Ronaldo Monte seria um escritor de grande reconhecimento nacional. "Acho que o fato dele estar em João Pessoa e de já ter uma certa idade dificultaram isso, mas a qualidade de sua literatura é inegável. Ele sempre apresentava contos maravilhosos, com um senso de humor muito particular", declara.

Quem também destaca seu bom-humor é a escritora Ana Adelaide Peixoto Tavares. “Ele tinha uma espécie de humor inglês, era muito divertido encontrá-lo pelos corredores da UFPB”, relembra. Ronaldo Monte era formado em Psicologia e atuava como acadêmico na instituição, como professor.

Em paralelo ao seu trabalho na universidade, ele também chegou a exercer um trabalho na psicologia clínica. “Eu o conheci primeiramente como terapeuta, nos anos 1980. Depois, o conheci como escritor. Eu escrevia crônicas e as distribuía por quadros na UFPB, ele sempre fazia questão de ler e analisar meus escritos”, relembra Ana Adelaide.

Ronaldo também teve uma produção de livros infantis, resultando em obras como A Menina na Noite, com ilustrações de Veruschka Guerra, e A Paixão Insone, com desenhos de Flávio Tavares. Seus poemas infantis também foram musicados pelo grupo Meu Quintal.

Falando em música, não é possível esquecer um de seus grandes parceiros e amigos, Milton Dornellas. “Eu o conhecia há 30 anos. Fizemos muitas músicas juntos, como ‘Talo de capim’ e ‘Mandrágora‘. Também musiquei Eu Me Declaro Criança, livro que ele escreveu com base nos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos”, pontua.

Apesar do impacto da perda, Milton afirma não estar triste. “Apesar de tudo, ele viveu uma vida feliz e plena, sendo reconhecido em todas as áreas que atuou”, completa.

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