terça, 02 de março de 2021

Cultura
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JP recebe hoje à noite musical sobre a vida e a obra do cantor Cartola

André Luiz Maia / 22 de julho de 2017
Foto: Divulgação
No palco, a trajetória de uma das lendas de nossa música. João Pessoa recebe hoje à noite, no Teatro Pedra do Reino, a única apresentação no estado de Cartola – O Mundo é um Moinho, musical dirigido por Roberto Lage e com texto assinado por Artur Xexéo. O elenco formado por Flávio Bauraqui, Adriana Lessa, Andréia Cavalheiro, Hugo Germano e Silvetty Montilla apresenta a história de Cartola regada a muita música, como não poderia deixar de ser.

O enredo acompanha o desenrolar da vida de Cartola sob o ponto de vista metalinguístico: o cantor e compositor se vê no meio de uma montagem de um desfile de escola de samba em sua homenagem – obviamente, trata-se da Estação Primeira de Mangueira, da qual Cartola foi um dos fundadores. Dezesseis atores e um corpo de baile de apoio ajudam a apresentar ao público e ao próprio Cartola, interpretado por Flávio Bauraqui, sua história, costurada por seus clássicos, executados por uma banda cuja direção musical é assinada por Rildo Hora.

Tudo começou por conta da ideia do ator e produtor Jô Santana. Além de Lage, Xexéo e Hora, a equipe conta ainda com o trabalho de pesquisa de Nilcemar Nogueira, neta de Cartola e atual secretária de Cultura do Rio de Janeiro. “A relação que proponho quando convido os profissionais para trabalharem comigo sempre foi a relação de criação coletiva. Todos os processos foram conversados, discutidos, realizados em conjunto. Arte não se faz sozinho, esse é meu lema”, pontua, em entrevista ao CORREIO por e-mail.

O espetáculo estreou em São Paulo e já foi visto por mais de 50 mil pessoas desde então. Na sua primeira temporada, Cartola – O Mundo é um Moinho recebeu indicações a sete prêmios, dentre eles levando para casa o de Melhor Espetáculo Musical pelo Prêmio Aplauso Brasil.

Para Jô Santana, o reconhecimento advém da importância do musical ao contar uma história como a do músico carioca. “As novas gerações conhecem Cartola, porém a essência do artista guerreiro de espírito brasileiro é contada aqui. Muitos conhecem as músicas e não sabiam que eram dele. Reconhecimento artístico no Brasil é árduo, Cartola mesmo só gravou seu primeiro disco aos 65 anos, mas a arte prevalece no final”, completa.

Os Gonzagas participam

Flavio Bauraqui interpreta Cartola em todas as fases da vida. “Construí um Cartola maduro, com uma possibilidade cênica e isso me deu a chance de interpretá-lo em várias idades e fases de sua vida, dos 17 aos 65 anos”, comenta o ator, em entrevista ao CORREIO.

Não é a primeira vez que Flávio interpreta o sambista nos palcos. Em 2004, sob o comando de Sandra Louzada, ele fez Obrigado, Cartola, que ficou apenas um mês em cartaz.

“Quando isso aconteceu, me perguntei o que faço com tudo isso aqui dentro de mim? Em 2016, veio a resposta à essa pergunta. No Cartola de Artur Xexéo, caminhei junto ao elenco, do ponto zero, até perceber que podia resgatar e colocar em prática a construção já existente”, afirma Bauraqui.

Por estarmos falando de Cartola, obviamente a questão musical desperta curiosidade. E grandes nomes estão envolvidos no projeto. Arlindo Cruz, em parceria com Igor Legal, compôs o samba-enredo “Mestre Cartola”, que encerra o espetáculo. Como parte da proposta, a cada apresentação, o musical recebe um cantor ou grupo.

Em João Pessoa, nossos conterrâneos de Os Gonzagas entram para essa lista, que conta com nomes de peso como Alcione, Péricles, Jorge Aragão, Leci Brandão, Sandra de Sá, Dudu Nobre, Xande de Pilares, Eliana de Lima, Arlindo Cruz, Roberta Sá, Fabiana Cozza, Tobias da Vai Vai, dentre outros. Cartola – O Mundo É um Moinho contou ainda com apresentações de velhas guardas de escolas de samba.

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