sexta, 22 de janeiro de 2021

Cultura
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jornalista Chris Fuscaldo esteve mais uma vez na Paraíba em busca das raízes do cantor Zé Ramalho

Kubitschek Pinheiro / 14 de março de 2017
Foto: Divulgação
A jornalista Chris Fuscaldo está na reta final da pesquisa para a biografia de Zé Ramalho, que está escrevendo e sairá até o final do ano, pela Editora Sonora. Ela esteve no final de fevereiro em Brejo do Cruz, cidade que Zé nasceu: concluiu as entrevistas e fotografou lugares para fechar a obra. “Eu já tinha estado lá em 2014, mas não tive tempo de ir a Teixeira, onde o pai dele faleceu, quando Zé tinha dois anos” avisa.

A pesquisa começou há dez anos. De lá para cá, a autora conciliou a biografia com um mestrado em Letras na PUC-Rio, defendido em abril de 2015, cuja tese foi justamente "A/C Zé Ramalho - Eu, ele e a escrita (auto)biográfica" com 220 páginas.

Na retomada do projeto, a escritora sentiu que lhe faltavam imagens, para melhor descrever algumas cenas na vida do autor de “Chão diz giz”. “Eu queria colocar essa parte geográfica mais romanceada. Por isso fiz essa ultima visita a Brejo do Cruz, olhando para casa onde ele nasceu, a casa do Avôhai, dos avôs maternos, a pedra de turmalina que eu já tinha visto e tanta coisa...”.

Zé chamou a pedra de turmalina em "Avôhai". "Depois do sucesso da canção, as pessoas da cidade passaram a chamá-la de Pedra de Turmalina”, contou.

Ao chegar na Serra de Teixeira, Chris visitou a casa que a família Ramalho morou. Ela lembra que o avô era coletor do estado e por conta desse oficio, atuou noutras cidades. “O Zé morou em Brejo do Cruz, Teixeira, Campina Grande e João Pessoa. E fiz todo esse trajeto”.

Ela não esconde a admiração pelo cantor e compositor: “Ele perdeu o pai ainda menino, teve problemas com a droga, ele é acusado de plágio e ele se supera sempre”.

A questão do plágio estará no livro. Zé Ramalho foi acusado em 1982 por conta da letra da música "Força verde" ter sido retirada de um gibi do Hulk publicado no Brasil em 1972. O roteirista Roy Thomas, se utilizou de um poema de Yeats.

“Zé não pegou do livro de Yeats, mas da HQ do Hulk. Ele estava na casa de Geraldinho Azevedo e viu a revista, gostou, levou e escreveu. Foi um mal entendido e ele assume que fez isso e ficou na história. Esse foi um momento da vida em que o Zé não estava bem”, lembra ela.

A autora diz que seu livro terá uma linguagem popular. “Sou quase uma cria da internet e a gente aprende que as pessoas não têm paciência para coisas muito rebuscadas. Eu quero dar acesso ao grande público”.

Pedro Osmar contou à autora sobre a participação de Zé Ramalho num Projeto Coletivo de Música Paraibana, Pedro produziu um show de Zé em 1976. “Ele me contou que Zé cortou o cabelo, detonou o violão, jogou uma televisão no chão, fez discurso. Um show que marcou. Zé se pintou no estilo Secos & Molhados”.

O pintor Raul Córdula revelou que Zé Ramalho ia quase todos os dias a casa dos Córdula no Jardim das Acácias, em João Pessoa. Vem daí o nome de uma bela canção dele. Também contou que Zé Ramalho foi modelo fotográfica de uma grife de couro chamada curral. “Eu tenho umas fotos dele posando de modelo”.

A passagem de Zé Ramalho por João Pessoa – ele chega a capital com 13 anos – foi da maior importância: ganhou um violão de presente do tio Ernesto, que lhe ensinou três acordes. “Ele vinha de Campina Grande, onde tinha outro tio, o radialista Ramalho Filho que levava Zé para os shows de auditório. Ele viu lá Marinês e sua Gente, ao mesmo tempo em que ouvia as canções da Jovem Guarda entre outros”.

Em João Pessoa, ao ganhar o primeiro violão, Zé começa a querer tocas as canções que ouvia no rádio. “Ele era apaixonado pelos Beatles. E começa a tocar no colégio e, logo surge a banda Jets, depois ele entra para Os Quatro Loucos. Ou seja, a história musical dele começa em João Pessoa”.

A autora passou também temporada no Recife e conheceu a casa onde Lula Cortes e Cátia Mesel moravam: foi ali que nasceu o famoso disco Paêbiru, de Zé e Lula, hoje raríssimo. “Antes passei pela Pedra de Ingá, na Paraíba. Foi essa pedra que inspirou o disco. Saiu um CD por um selo britânico, mas Zé nunca mais quis reeditá-lo no Brasil”.

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