sábado, 16 de fevereiro de 2019
Cultura
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João Carlos Martins rege e toca com a Sinfônica de João Pessoa

André Luiz Maia / 01 de dezembro de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
O maestro João Carlos Martins é conhecido por milhões de brasileiros por sua história de superação, em uma biografia marcada por adversidades extremas, que o impediram de tocar seu instrumento principal, o piano. Seu renascimento artístico se deu, no entanto, pelo seu trabalho como regente. Hoje, o público paraibano poderá conferir isso.

João Carlos Martins é a principal atração do concerto de encerramento da sexta edição do Festival Internacional de Música Clássica de João Pessoa. Ele abrirá o concerto com uma peça solo, o Concerto nº 5 para piano, de Beethoven, e assumirá a regência da Sinfônica de João Pessoa. Sua vinda à cidade é fruto de um convite do maestro titular da sinfônica municipal, Laércio Diniz.

A somatória de eventos que incluem uma doença degenerativa e uma lesão na cabeça após um assalto em Sofia, na Bulgária, levou o então pianista de renome internacional a diversas cirurgias e a não conseguir mais tocar piano. Então, ele buscou outros caminhos para permanecer na música. E quem teve papel fundamental nessa recuperação foi o maestro Laércio.

“Graças ao Laércio que eu pude iniciar meu projeto como maestro“, comentou João Carlos Martins, em entrevista ao Correio. “Ele arregimentou os músicos e foi meu spalla durante oito anos. Foi uma figura importantíssima para que eu pudesse retomar meu sonho na música. Tenho muito respeito e admiração por ele”, completa.

A entrevista foi realizada entre um compromisso e outro em João Pessoa e cidades vizinhas. Na quarta, ele foi até Santa Rita para conhecer o trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes no Centro de Formação Educativo Comunitário (Cefec). A equipe de reportagem pôde acompanhar de perto essa troca de experiências e conversar com João Carlos Martins sobre seu projeto, o Orquestrando o Brasil.

“No momento em que eu recebi a notícia que, depois de 23 operações, eu nunca mais tocaria piano profissionalmente, a única forma de agradecer a Deus por continuar na música era assumir responsabilidade social no país que nasci", declara. A meta é que esse projeto chegue a mil orquestras por todo o Brasil, com sessões à distância e presencial de mentoração supervisionadas pelo próprio João Carlos Martins.

Sua principal inspiração para desenvolver esse projeto social é o compositor Heitor Villa-Lobos. “Ele queria fechar o Brasil em forma de coração através da música. Quem sou eu perto de Villa-Lobos? No entanto, por conta da exposição na mídia, me peguei naquela condição rara a músicos eruditos, que é sair na rua e ser reconhecido. Então, a única forma de devolver, através da música, este carinho é dedicar minha vida a ir em comunidades e ajudar aqueles que tomaram a dianteira de projetos como os que eu visitei aqui em João Pessoa”, completa.

Como pianista, sua interpretação ousada e até então pouco usual de Bach chamou atenção do mundo inteiro, já que trouxe o repertório do compositor alemão com maior proximidade ao piano, instrumento o qual Bach não idealizou suas peças no século XVIII. Sobre esta "ousadia", João Carlos Martins lembra de um episódio de sua adolescência. “Quando tinha 16 anos, toquei para Villa-Lobos uma obra dele e uma parte em que estava escrito ‘forte’, eu toquei ‘pianíssimo’. Levei uma bronca do meu professor, mas Villa-Lobos chegou e disse: 'Garoto, você é muito atrevido, mas devo dizer que tocada assim ficou mais bonito. Foi uma chancela para eu ter a coragem de sempre misturar a individualidade do intérprete com a personalidade do autor”, acrescenta.

Orquestra Sinfônica de João Pessoa e

João Carlos Martins

Hoje, às 19h

Parque da Lagoa (Parque Sólon de Lucena, Centro, João Pessoa)

Entrada franca

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