quinta, 26 de novembro de 2020

Cultura
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Indicação a principal prêmio do teatro musical brasileiro reafirma talento de Lucy Alves

André Luiz Maia/Do Rio de Janeiro / 04 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
Nem mesmo a cantora, compositora e multi-instrumentista Lucy Alves previu a recepção extremamente positiva de seu trabalho enquanto atriz. Está no ar fazendo sucesso na TV, mas este não foi seu primeiro trabalho como atriz. Ela começou com o pé direito com papel principal do musical de teatro Nuvem de Lágrimas, pelo qual está indicada na categoria de atriz revelação ao Prêmio Bibi Ferreira.

Em meio à agenda atribulada, Lucy Alves recebeu o repórter do CORREIO para contar sobre seus feitos enquanto atriz, algo que ela faz questão de lembrar que não conquistou sozinha. “Essa indicação foi fruto do trabalho que eu tive com toda a equipe, especialmente os diretores Tânia Nardini e Luciano Andrey. Não estava esperando, fiquei muito feliz com a notícia, mas, sinceramente, o mérito é deles. Eles apostaram em mim”, explica.

Nuvem de Lágrimas adapta um clássico da literatura, Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, para o interior do Brasil. Na peça, Lucy Alves é Bete Borba, uma funcionária de cooperativa agrícola que vive uma relação conturbada com o jovem Darcy, aqui interpretado por Gabriel Sater, também músico. Para interpretar a protagonista, Lucy passou por um processo de preparação que também contou com aulas de prosódia, para conseguir reproduzir o sotaque caipira de uma moça do interior de São Paulo.

Já em Velho Chico, a tarefa foi menos árdua, pois pôde utilizar seu sotaque de paraibana com mais naturalidade para se expressar enquanto atriz, já que a história é ambientada no Nordeste. Mas a experiência no palco foi essencial para o bom resultado visto nas telinhas – Lucy tem sido considerada pela crítica especializada como a revelação da TV em 2016 até então. “No teatro, eu aprendi o lance da concentração, que não era o mesmo do que é para cantar. É muito mais profundo. Aqui na TV já foi outro processo: além dos atores, é preciso estar atenta ao balé com as câmeras, que é como se fosse outro ator em cena, que contracena com você”, analisa.

Seu papel no enredo da novela foi ganhando espaço, o que aumentou a carga horária de trabalho também. “Estou gravando de segunda a sábado. É exaustivo, me doo muito em cada cena e saio muito cansada, mas vale a pena, porque sai algo verdadeiro. É um papel que qualquer ator queria, por não ser uma coisa só. Dá para fazer tudo, desde uma cena mais amorosa até as mais agressivas. Foi uma aposta que fizeram, que veio como um verdadeiro presente”, pontua.

Lucy recorreu às memórias de mulheres fortes que cruzaram sua vida e também às do cinema. “Estou em uma fase de redescobrir o cinema e percebendo novas coisas. Assisti Noite de Estreia, um filme da década de 1960, e fiquei simplesmente impressionada com a atuação de Gena Rowlands”.

Mas e a carreira musical? Como a própria faz questão de afirmar, foi seu talento com a música que lhe abriu as portas e ela não pretende deixar de trilhar esse caminho, apesar da experiência notável no campo da dramaturgia.

“As pessoas estão me cobrando muito. A novela acaba agora em setembro. De outubro em diante, é dedicação total ao meu novo disco, que, se tudo der certo, deve sair em janeiro do ano que vem”, revela a artista.

O novo álbum vem através de sua nova gravadora, a Warner Music Brasil. Lucy prefere não contar mais detalhes sobre o repertório, mas garante que será composto totalmente por músicas inéditas.

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