domingo, 17 de novembro de 2019
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Quadrinhos Disney voltam ao mercado brasileiro pela editora Culturama

Renato Félix / 10 de abril de 2019
Foto: Divulgação
Por 68 anos os quadrinhos Disney foram publicados no Brasil pela Editora Abril. De 1950 a 2018, quando a editora anunciou em junho, que deixaria de publicar as histórias que vinham até então acompanhando toda a trajetória do grupo. Mas o hiato que se seguiu chegou ao fim em março com a editora Culturama passando a publicar Mickey, Donald e cia.

São cinco gibis mensais, que começaram do número 0: Mickey, Pato Donald, Tio Patinhas, Pateta e Aventuras Disney. No comando do projeto, o editor Paulo Maffia, que conhece bem o material: ele editou os quadrinhos Disney na Abril por 15 anos.

A Disney indicou o nome de Maffia à Culturama, que procurou a empresa para assumir os personagens. Ele é responsável pelas seleções de histórias, coordenar produção e revisão e definir as linhas editoriais de cada revista.

“Por incrível que pareça, apesar de ser uma revista em quadrinhos, cada uma tem uma linha editorial que a gente segue: Tio Patinhas são mais aventuras, Pateta é mais sitcom, Aventuras Disney são personagens queridos, mas que não têm força pra ter uma revista própria...”. Com isso, Superpato não aparece na revista do Donald, seu alterego, mas na Aventuras Disney.

A linha editorial principal, no momento, é de publicar apenas histórias inéditas. Com isso, uma ausência é digna de nota: o Zé Carioca, personagem Disney, mas que teve sua revista própria por décadas na Abril, mas escritas e desenhadas no Brasil. A Culturama, ao menos por enquanto, não vai usar o material publicado pela Abril.

“Não tem produção inédita do Zé Carioca suficiente para ter uma revista dele", conta o editor. "A Culturama tem um projeto a longo prazo de começar a produzir essas histórias". Maffia conta que realmente não há quase nada do Zé Carioca produzido no mundo. "Há algumas tiras e histórias de uma página produzidas na Holanda, mas não é de boa qualidade — porque o cara não é carioca”.

O projeto de novas HQs do Zé Carioca precisa da aprovação da Disney. “Essas autorizações levam tempo. Eles estão analisando e vendo se há autorização para a gente produzir isso no futuro”, diz Maffia.

Mickey, Donald e Tio Patinhas foram sempre carros-chefe de seus próprios gibis por décadas: Mickey chegou a 911 edições; Tio Patinhas, a 638; e Pato Donald, a impressionantes 1.845 números. Pateta, no entanto, teve três vezes revista própria na Abril, mas nunca conseguiu passar de 100 exemplares. Então, por que a escolha?

“Por causa da força do personagem no Brasil. O Pateta é muito querido e as histórias dele estão muito boas hoje. As histórias que estamos colocando no gibi dele são de dois tipos: as aventuras dele ao lado do Mickey e as histórias de comédia”.

Maffia promete, inclusive, que o personagem terá duas histórias memoráveis na edição 2. “Em uma ele viaja no tempo com o Mickey e, sem querer, atrapalha a audição de Ringo Starr com os Beatles e acaba virando o baterista dos Beatles. E a segunda discute a importância da leitura e da liberdade de imprensa”.

A Culturama busca um modelo de distribuição que procura não depender de bancas de revista e livrarias. "A Culturama, em 2017, vendeu 12 milhões de livros sem entrar numa livraria: só com pontos alternativos. É levar quadrinhos Disney para pontos e pessoas que não tinham acesso, É importante essa popularização porque os quadrinhos Disney sempre foram a porta de entrada para a leitura de muitas pessoas. Sete ou oito gerações de brasileiros foram alfabetizados pelos quadrinhos Disney”.

No entanto, os quadrinhos ainda não chegaram a João Pessoa. “O número 0, em algumas cidades ainda demoram um pouco para chegar", diz o editor. “Mas eu garanto que o número 1, 2 ou 3, você encontra no Brasil todo em lojas, bancas ou online, e pode fazer as assinaturas”.

Sem álbuns. A Culturama, no entanto, não tem planos para retomar os álbuns em capa dura que fizeram a alegria dos fãs dos quadrinhos Disney nos últimos tempos na Abril. Além de edições temáticas produzidas no Brasil, e editadas por Maffia, coleções dedicadas às obras de Carl Barks e Keno Don Rosa, célebres autores dos quadrinhos Disney ficaram pela metade.

“Não faz parte de nosso contrato com a Disney”, sentencia o editor. “Não faz parte do nosso foco no momento”.

O foco atual, pelo menos, vai indo bem, segundo o editor. “A aceitação está muito além da nossa expectativa”.

 

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