terça, 13 de abril de 2021

HQ
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Paulo Pontes é o personagem da nova edição do projeto Primeiras Leituras

André Luiz Maia / 22 de fevereiro de 2017
Foto: Divulgação
Para as gerações mais novas, muito provavelmente o único contato com Paulo Pontes é o nome do teatro do Espaço Cultural, em João Pessoa. Seu legado, embora importante para a cultura brasileira, especialmente no campo da dramaturgia, é pouco conhecido entre seus conterrâneos. Uma chance de conhecer melhor sua história é o lançamento hoje de Paulo Pontes em Quadrinhos, no Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), em Campina Grande.

O trabalho de Pontes, de um teatro que buscava reconhecimento popular, ganhou destaque em peças como Gota d’Água, escrita em parceria com Chico Buarque, em 1976. Outras realizações do autor foram Um Edifício Chamado 200, Check-up, Doutor Fausto da Silva e Paraí-bê-a-bá, todas anteriores, no começo dos anos 1970.

Em um encontro entre dramaturgia e canção, ele também foi responsável pelo famoso show Opinião, que revelou Maria Bethânia e contou com estrelas como Nara Leão e Suzana de Moraes, além de Brasileiro: Profissão Esperança e outros títulos. A união entre música e teatro também se deu na vida pessoal, ao casar-se com a atriz e cantora Bibi Ferreira. Além do teatro do Espaço Cultural, em JP, seu nome batiza o miniteatro dentro do Severino Cabral, em Campina Grande, inaugurado em 1982.

Apesar da carreira de destaque nacional, ele morreu muito jovem, aos 36 anos, em 27 de dezembro de 1976. A causa foi um câncer de estômago. Muito por conta disso, o historiador Bruno Gaudêncio, roteirista do quadrinho, atribui o desconhecimento das gerações mais novas sobre sua atuação nas artes cênicas. "Realmente, o Paulo Pontes infelizmente é desconhecido da maioria dos paraibanos e (roteirizar a história) foi uma tarefa difícil diante de informações incorretas sobre o dramaturgo. São poucos os estudos sobre sua obra e menos ainda sobre sua vida. Não temos propriamente biografias oficiais dele e os poucos ensaios perdem-se pelas imprecisões de datas e acontecimentos. Além da morte precoce, seus descendentes não tiveram tempo ou interesse em colaborar ou investir em biografias, documentários e pesquisas sobre ele. A exceção é de Ipojuca Pontes, irmão de Paulo, que inspirou a organização de suas melhores peças, publicadas pela editora Civilização Brasileira nos anos 1990", relata.

A HQ é a décima quinta da coleção que já teve quadrinhos dedicados a Augusto dos Anjos, Epitácio Pessoa, Ariano Suassuna, José Américo de Almeida, Anayde Beiriz, Vidal de Negreiros e Celso Furtado, entre outros nomes marcantes da vida política, econômica e cultural da Paraíba. Além de Bruno, a obra conta com ilustrações de Megaron Xavier. Ambos já fizeram várias das edições da coleção, mas é a segunda vez que trabalham juntos - a anterior foi em Ariano Suassuna em Quadrinhos.

"Megaron além de um ótimo ilustrador, trabalha assustadoramente rápido. Ele consegue captar em poucas horas toda a estrutura e a linha narrativa. De tudo que fizemos juntos este trabalho foi o mais complicado, pelo tempo que tínhamos, algo cerca de 30 dias", revela Bruno Gaudêncio. A obra será comercializada em livrarias, mas no lançamento será distribuída, graças à parceria com a Energisa.

“Paulo Pontes em quadrinhos”

De Bruno Gaudêncio (roteiro) e Megaron Xavier (desenhos)

Editora: Patmos. Páginas: 48. Formato: 21 x 20,5 cm. Preço: R$ 34,90

Lançamento hoje, às 19h.

Museu de Arte Popular da Paraíba (R. Dr. Severino Cruz, Centro, Campina Grande – tel.: 3310.9738).

Entrada franca

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