sexta, 15 de janeiro de 2021

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No Dia do Quadrinho Nacional, CORREIO faz passeio pela história da nona arte

André Luiz Maia / 29 de janeiro de 2017
Foto: Divulgação
As ComicCons, adaptações cinematográficas e uma indústria poderosa e lucrativa ao redor dos gibis estão aí para comprovar que quadrinho não é brincadeira de criança. Essa arte vem ganhando cada vez mais destaque e espaço nas livrarias, novo habitat inclusive para o quadrinho nacional, que comemora seu dia amanhã.

As primeiras publicações do gênero aconteceriam nos jornais, em forma de tiras, especialmente com charges e caricaturas. Em 30 de janeiro de 1869, o cartunista Angelo Agostini publicou a primeira história em quadrinhos brasileira, As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte. Para marcar a data, a partir de 1984 passou-se a celebrar o Dia do Quadrinho Nacional.

Quando pensamos em indústria de quadrinhos no Brasil, é impossível não falar do nome de Maurício de Sousa, que viu sua Turma da Mônica estourar durante as décadas de 1960, nos jornais, e 1970, nos gibis, e hoje comanda uma grande empresa, com diversos projetos em várias áreas.

Maurício e sua equipe buscam manter seu legado criando produtos que possam manter a conexão com as crianças dessa geração, preservar a nostalgia dos adultos e apresentar a eles produtos que tenham apelo à sua faixa etária, como as graphic novels em que seus personagens ganham releituras de talentos da HQ nacional, como Danilo Beyruth, os irmãos Vítor e Lu Cafaggi e o paraibano Shiko. Também há a preocupação com o público intermediário adolescente, materializado na Turma da Mônica Jovem, que emula a estética do mangá e se tornou um grande sucesso de vendas.

Outro exemplo de consolidação de marca é Ziraldo, que publicou Pererê nos anos 1960 e A Turma do Pererê nos anos 1970, e conquistou uma geração de crianças e adolescentes entre as décadas de 1990 e 2000 com as HQs de O Menino Maluquinho.

Mas Mauricio e Ziraldo são exceções. “Estão entre os poucos exemplos de quadrinhos produzidos no país de forma mais industrial. O que esses autores conquistaram, por mérito, foi ocupar espaço no difícil mercado brasileiro de quadrinhos”, afirma o jornalista Paulo Ramos, autor de Tiras Livres, entre outros livros sobre HQ. “Muito da associação dos nomes deles a exemplos de autores bem-sucedidos vem disso. Os caminhos que eles abrem são tanto de emprego para uns, quanto de porta de entrada de leitura, para muitos”.

Os anos 1980 viram surgir uma geração de novos cartunistas de talento, como Angeli e Laerte, reunidos para lançar gibis próprios de humor adulto na editora Circo: respectivamente Chiclete com Banana e Piratas do Tietê.

Se formos entrar no campo das publicações menores ou independentes, Mirza, a Mulher Vampiro é uma criação de Eugênio Colonnese representante dos quadrinhos de terror, gênero de muita importância na HQ nacional.

A Paraíba também faz parte dessa história com Maria, de Henrique Magalhães, Velta, de Emir Ribeiro, Flama, de Deodato Borges, e Bartolo, de Cristóvam Tadeu. Mike Deodato é o representante máximo de uma geração que começou a produzir também para editoras americanas.

Hoje, é possível perceber maior espaço para publicações nacionais, inclusive em grandes editoras como a Panini Comics. No entanto, editoras menores como a Veneta e a Mino são responsáveis por dar vazão a trabalhos de quadrinistas como Marcello Quintanilha, os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá (vencedores do Eisner, o Oscar dos quadrinhos, pela adaptação do romance Dois Irmãos) e o paraibano Shiko. “Há meio século, a maior parte das obras era produzida em formato revista, vendida em bancas e destinada majoritariamente para os públicos infantil e juvenil. O que se vê hoje é uma pluralidade de gêneros, públicos-alvo, formatos (revista, livro, virtual) e formas de venda (a banca é apenas uma delas). Vende-se seguramente menos. Mas produz muito mais diversidade”, explica Paulo.

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