sábado, 06 de março de 2021

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Cavaleiro das Trevas e Homem de Aço reúnem obras de grandes desenhistas

Renato Félix / 25 de maio de 2016
Foto: Ilustração
Tanto o Super-Homem quanto o Batman já possuem mais de 75 anos de história. E de histórias: incontáveis roteiristas e desenhistas já passaram pelos dois personagens. Alguns, certamente, mais memoráveis que outros e estes estão reaparecendo nas bancas a bordo de duas coleções: Lendas do Cavaleiro das Trevas e Lendas do Homem de Aço. Ambas dedicam um número variável de volumes a um desenhista (é como uma coleção menor dentro da coleção maior).

A centrada no Batman chegou primeiro às bancas e já teve séries que evidenciaram as obras de Alan Davis (dois números em 2014), Jim Aparo (quatro, em 2015), Marshall Rogers (três, em 2015 e 2016) e, a melhor de todas, Neal Adams (cinco, em 2015 e 2016).

A centrada no Super-Homem está ainda no seu primeiro artista: Jose Luís García-Lopez (até agora dois números). García-Lopez definiu um visual tão bom para o personagem na segunda metade dos anos 1970 (e não só ele, mas também outros da DC Comics) que a editora decidiu usar seu traço em produtos de merchandising. Sua abordagem virou “a cara padrão” dos super-heróis da DC por um bom tempo.

Com histórias dispostas em ordem cronológica, a primeira edição de Lendas do Homem de Aço começa com uma história de comédia da série “A vida privada de Clark Kent”, que complementava com poucas páginas as edições de Action Comics.

Seguem-se boas aventuras, de traços limpos e claros, até o gran finale: a inclusão de “Superman vs. Mulher-Maravilha”, uma edição especial de mais de cem páginas, cuja capa também é a capa desta edição.

Livrarias. As edições também chegam às livrarias, onde costumam demorar por mais tempo. É lá que o leitor pode encontrar as edições dedicadas a Neal Adams. Em uma época na qual o seriado cômico Batman afetava a visão do personagem para toda uma geração, os desenhos de Adams ajudava a manter a seriedade do personagem na trincheira dos quadrinhos.

O primeiro volume mostra o trabalho de Neal Adams nas revistas World’s Finest (que reunia Batman e Super-Homem) e The Brave and the Bold (onde o Homem-Morcego contracenava com um herói diferente a cada edição). Os ângulos ousados de Adams chamam bem mais atenção que as histórias, ainda em boa parte simplórias, mas já tentando ganhar alguma complexidade.

A coisa melhora bastante nas edições seguintes, quando entra em cena o roteirista Dennis O’Neill. A parceria teve momentos antológicos nas revistas Detective Comics e Batman, com destaque para a saga em que estreou o vilão Ra’s Al Ghul.

De certa forma, esta série supre a falta da Panini Comics, que interrompeu ainda no primeiro número a coleção em capa dura Batman Ilustrado por Neal Adams.

Os demais exemplares da série abordam fases diferentes do Homem-Morcego. Jim Aparo tem apenas uma parte de sua carreira à frente do Batman contemplada nas quatro edições de sua coleção - basicamente histórias da revista The Brave and the Bold, de 1971 a 1976. A curta fase do inglês Alan Davis com o personagem (em 1986-1987 e mais duas histórias extras em 1991 e 2002), está inteira em seus dois números. E as três edições de Marchall Rogers abrange sua fase em Detective Comics, de 1976 a 1979.

Separadas ou juntas, elas surgem como uma bela coleção para os interessados na história dos quadrinhos. São tramas com diferenças importantes para as de hoje em dia e há muito tempo não vistas nos gibis brasileiros. Há muito mais onde a DC garimpar para novos volumes de lendas como estas.

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