sábado, 19 de outubro de 2019
HQ
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Artistas de CG desenvolvem história em quadrinhos que se passa nos anos 80

Rammom Monte / 03 de abril de 2019
Foto: Divulgação
O ano é 1980. O local é a cidade de Campina Grande. Um herói deseja salvar o local de um grupo de extermínio conhecido como Mão Branca. É o que pretende contar a HQ que está sendo produzida por Kleyner Arley, Kennyo Alex, Astier Basílio e Willy Marques. A obra ainda não tem título e só deve ser lançada no ano que vem, mas já vem despertando curiosidade e, de quebra, tenta trazer de volta um velho herói dos quadrinhos criado em Campina Grande: o Flama, de Deodato Borges.

A ideia foi do advogado Kleyner Arley, um apaixonado pelo mundo dos quadrinhos. Ele afirma que apesar de se tratar de uma ficção, mistura elementos reais.

“É uma obra de ficção que se ampara em uns fatos históricos, como o Mão Branca. Mas é uma obra de ficção, com super heróis. É um estilo noir, uma história investigativa. Ele se passa em uma atmosfera mais antiga, tanto que a obra é toda preta e branca”, explicou.

O Flama foi criado por Deodato Borges, pai do quadrinista Mike Deodato, na década de 1960 para um programa de rádio e depois adaptado por ele mesmo para a HQ As Aventuras do Flama.

“A gente está querendo um personagem chamado Flama. Falei com Mike Deodato, mas ele não tem mais os direitos, está com uma produtora de São Paulo e ela gostou da ideia, mas ainda não bateu o martelo”, disse.

Além desta obra, Kleyner está trabalhando em outras, a exemplo de Sertão Sangrento. “Sou advogado, mas apesar desta formação, esta parte de quadrinho é uma coisa que amo desde criança e já fazia historias. Então assumi um compromisso comigo mesmo. Uma coisa não exclui a outra”, disse.

Um dos roteiristas é Willy Marques, que está entrando, principalmente, com a parte da história de Mão Branca. Ele falou sobre o grupo e citou alguns casos.

“Era um grupo de extermino que teve em Campina Grande no passado. E se inspiraram em um grupo que teve no Rio de Janeiro. Era um grupo de policiais, que assassinavam criminosos. Na época, o caso ganhou grande repercussão. Teve até uma nota em um jornal com a lista do número de criminosos que seriam assassinados e eles cumpriram o que prometeram”, resumiu.

Ainda de acordo com Willy, o cidadão campinense irá se sentir representado na obra.

“A ideia é criar um pouco e contar esta historia. Mas também tenta homenagear algumas coisas de Campina Grande, como alguns prédios antigos, algumas lendas locais...”, finalizou.

Outro que fará parte do roteiro é o jornalistas e poeta Astier Basílio. Ele estava tão a fim de fazer a HQ, que se ofereceu a participar do projeto.

" O Kleyner é meu amigo no Facebook e postou um desenho explicando que era um estudo que ele estava fazendo a respeito da Campina Grande noir. Aí eu pressupus que fosse um trabalho para HQ e perguntei se tinha espaço para escrever", disse.

Como atualmente Astier mora na Rússia, os contatos e a produção são feitos através das redes sociais. "Nós nos encaminhamos em grupo no facebook, no qual a gente trabalha a demanda".

Grupo de extermínio

Na década de 1980, Campina Grande foi palco de vários crimes que ocorreram em sequência, praticados por um grupo de extermínio que ficou conhecido como Mão Branca.

Segundo o escritor e jornalista Ronaldo Leite, que na época cobriu o caso na condição de repórter policial, a matança começou no dia 13 de julho de 1980. Neste dia, uma carta foi encaminhada a redação do extinto Diário da Borborema e à Central de Polícia, com o nome dos 115 supostos marginais que seriam vítimas do Mão Branca.

“De início, ninguém levou em consideração, acreditando se tratar de mais uma brincadeira de pessoas que buscam o anonimato para pregar peças”, conta.

O jornalista relata, ainda, que a denominação Mão Branca foi copiada de um grupo de extermínio que atuava no Rio de Janeiro que, inclusive, foi responsável pelo assassinato do marginal conhecido por Paraibinha.

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