sábado, 28 de novembro de 2020

Cultura
Compartilhar:

História em quadrinho sobre a vida de Sivuca é lançado nesta quarta-feira

André Luiz Maia / 25 de outubro de 2017
Foto: Divulgação
Sivuca foi incontestavelmente um dos maiores nomes da música brasileira. O paraibano de Itabaiana fez história e possui prestígio entre músicos do mundo inteiro, especialmente por seus esforços para aproximar a música popular e a erudita.

Hoje, sua história é apresentada em Sivuca em Quadrinhos, mais um lançamento da Patmos Editora. É o 18º volume da coleção Primeira Leitura. O projeto já apresentou a biografia de nomes como Augusto dos Anjos, Napoleão Laureano, Ariano Suassuna e Anayde Beiriz e agora se centra na figura de um dos maiores músicos que já tivemos. O roteiro é assinado por Otávio Sitônio Pinto e as ilustrações ficaram a cargo de Val Fonseca. O convite para escrever o roteiro veio do então editor e fundador da Patmos, Carlos Roberto de Oliveira, que sabia da proximidade que Sitônio tinha com Sivuca. "A pesquisa não foi difícil, foi muito da minha relação com Sivuca. Foi um trabalho de memória, sobre o que pude ver de perto da vida dele e de sua esposa, Glorinha Gadelha", comenta.

A história de Severino Dias de Oliveira, ou simplesmente Sivuca, é digna de filme. Apesar de ser lembrado por seu trabalho na sanfona, também dominava o violão e outros instrumentos, além de ter seu trabalho reconhecido enquanto compositor e arranjador. "Sivuca trouxe um tratamento erudito para a música popular nordestina. Acredito que essa tenha sido a maior contribuição que ele trouxe", pontua Otávio Sitônio. Por muitos anos, Sivuca morou em Nova York, nos Estados Unidos, além de Portugal e França. Durante sua estada fora do país, contribuiu para a popularização da música nordestina em vários países, além de dialogar com outras expressões musicais, chegando a integrar bandas de cantores estrangeiros renomados como a sul-africana Miriam Makeba e o norte-americano Harry Belafonte.

Além disso, também gravou seu nome na música popular ao lado da esposa, a médica, cantora e compositora Glória Gadelha. Juntos, compuseram "Feira de mangaio", um dos clássicos de nossa música e uma das canções brasileiras mais executadas de todos os tempos. Val Fonseca, que já havia trabalhado em volumes como o dedicado a José Américo de Almeida, afirma que antes de aceitar o trabalho, pouco conhecida sobre a trajetória de Sivuca. "Eu conhecia de nome. Nem mesmo as músicas de Sivuca eu conhecia a fundo. Sabia de 'Feira de mangaio', mas a partir desse trabalho comecei a escutar ele com a Orquestra e com o Quinteto Uirapuru, tudo isso para contextualizar a história. Até a voz dele eu fui atrás. São pormenores que enriquecem todo o trabalho", explica o ilustrador, em entrevista ao CORREIO.

Apesar da experiência como ilustrador, Val deixa claro que o trabalho para fazer um quadrinho biográfico é maior, já que a atenção para a precisão histórica e estética precisa ser redobrada. Para isso, ele precisa se munir de todo material disponível. "Eu leio o roteiro que me foi entregue e vou pesquisando tudo o que me chama a atenção. Busco imagens e me aprofundo em leituras antes de começar a desenhar. Fui pesquisar os primeiros instrumentos que Sivuca tocou, sua aparência, origem. Tudo isso me auxilia no desenvolvimento do trabalho", reforça.

Relacionadas