sábado, 18 de novembro de 2017
Cultura
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Grande Otelo completaria 100 anos de uma vida que uniu comédia e tragédia

Renato Félix / 18 de outubro de 2015
Foto: Divulgação/Internet
Em um momento de Carnaval no Fogo (1950), um Romeu bem pouco galante aparece em cena para pedir a presença de sua amada na sacada. Quando ela aparece, é Grande Otelo de peruca. O que se segue é um das grandes cenas de comédia do cinema nacional, se não for a maior. Nem parecia que Otelo, que completaria 100 anos hoje, tinha passado pela pior tragédia de sua vida: dois dias antes, sua mulher havia matado o filho de 6 anos do casal com um tiro na cabeça e cometido suicídio em seguida. A tragédia e a comédia reunidas em um homem: um resumo do cinema brasileiro e do próprio Brasil em um de nossos maiores artistas.

“Surpreendentemente, contestando todos aqueles que o chamam de irresponsável, Otelo fez o melhor trabalho de sua carreira. (...) O homem que caía em prantos nos intervalos da filmagem era o oposto do ator que entrava em cena, sem a menor marca de tragédia no rosto”, disse, em 1975, Watson Macedo, diretor do filme, em entrevista ao jornal O Globo, reproduzida em Grande Otelo – Uma Biografia, do jornalista Sergio Cabral.

O próprio Grande Otelo, em uma de suas últimas entrevistas (para a revista Interview, publicada após sua morte, em 1993, e também reproduzida em parte no livro) adicionou que fez a cena à base de cachaça e Pervitin, para aguentar. E só conseguiu assistir à cena 25 anos depois.

Lucia Maria, a esposa, com quem ele era casado desde 1941, culpou em bilhete as bebedeiras e o ciúme do ator.

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