domingo, 24 de janeiro de 2021

Cultura
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Glauber e o cinema documentário são temas de dois livros

Renato Félix / 17 de fevereiro de 2017
Foto: Divulgação
A biblioteca sobre cinema é rica no Brasil e ganhou recentemente dois novos volumes que merecem atenção. Um aborda a obra daquele que é sempre apontado como o maior cineasta brasileiro: Glauber Rocha. O outro aborda o gênero documentário.

Glauber Rocha – Cinema, Estética e Revolução é escrito por Humberto Pereira da Silva, crítico de cinema e professor universitário de filosofia e ética. O livro faz uma introdução à vida, obra e ideias de Glauber, um artista efervescente que deixou obras como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967).

O autor teve o apoio da mãe e da filha de Glauber, Lúcia e Paloma, na pesquisa para o livro. Dona Lúcia foi a grande guardiã da memória e do legado do filho desde a morte dele, em agosto de 1981. Ela morreu há três anos, aos 94 anos.

A trajetória de Glauber é recontada da infância na Bahia, o surgimento do cinema novo e da "estética da fome", o exílio, as polêmicas e o legado.

Cinema de Fato – Anotações sobre Documentário é escrito por Carlos Alberto Mattos, também crítico de cinema e com longa dedicação ao gênero – mais de duas décadas. É uma coletânea de resenhas sobre filmes de cineastas como Eduardo Coutinho, Wim Wenders e Pier Paolo Pasolini. Ao todo são 79 textos.

O paraibano Vladimir Carvalho, diretor de, entre outros, O País de São Saruê (1971), Conterrâneos Velhos de Guerra (1990) e Rock Brasília – Era de Ouro (2011), e sobre quem Mattos escreveu a biografia Pedras na Lua e Pelejas no Planalto (2008), é tema de um texto logo no primeiro capítulo.

O livro não fica apenas nas resenhas críticas de filmes específicos, mas abre espaço para textos que refletem de maneira mais abrangente sobre aspectos do cinema documentário, como os documentários de invenção.

Como o livro sobre Glauber Rocha, Cinema de Fato também pode servir como uma introdução, embora este não seja o objetivo. O leitor não familiarizado com o documentário pode tomá-lo como ponto de partida e celeiro de sugestões do que assistir nesse campo.

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