sexta, 22 de novembro de 2019
Cultura
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Festival das Mulheres Artistas faz homenagem à Luzia Tereza

Rammom Monte / 20 de março de 2019
Foto: Divulgação
Uma das maiores contadoras de histórias do mundo. É assim que é considerada a paraibana Luzia Tereza dos Santos, nascida em 1909 na cidade de Guarabira. Agora, ela é a homenageada do Festival das Mulheres Artistas, o Elas, que começa nesta quarta-feira (20) na sua cidade natal. O evento contará com 27 atrações e acontece até sábado, em vários locais do município.

Luzia Tereza foi uma mulher que não sabia ler e nem escrever. Ela viveu até os 74 anos e morreu de câncer em 1983, em João Pessoa. Quando criança, em sua terra natal, trabalhou na roça e depois como doméstica. Entre os anos de 1977 e 1983, gravou uma série de contos populares para o projeto Jornada de Contadores de Estórias da Paraíba, desenvolvido pela Universidade Federal da Paraíba através do Núcleo de Pesquisa e Documentação de Cultura Popular, na época coordenado pelo professor e escritor Altimar Pimentel, que chegou a escrever livros sobre a conterrânea.

O escritor, que também já morreu, declarou que Luzia Tereza foi “a maior contadora de histórias do mundo”, e em vida ele publicou três livros de contos intitulados Estórias de Luzia Tereza, pela Thesaurus Editora.

Nas homenagens a Luzia Tereza, dentro da programação, será exibido um vídeo na noite da abertura e amanhã haverá uma sessão de contação de histórias com a atriz e contadora Emilie Andrade, de São Paulo, ocasião em que também haverá uma roda de conversa sobre a homenageada.

O secretário de comunicação de Guarabira, Tarcísio Pereira falou sobre a importância do evento e sobre a homenageada.

“A Secretaria de Políticas Públicas para a Mulher estava montando uma programação para o mês de março e a gente chegou com um projeto propondo uma parceria e surgiu a ideia de fazer o festival. Lançamos um regulamento na pagina da prefeitura, recebemos quase 80 inscrições de várias áreas, inclusive de outros estados, mostrando a repercussão. Sobre Luzia, segundo uma pesquisa de Altimar Pimentel, não se tem noticia no mundo de uma contadora de historia que tenha contado tanta história”, disse.

E as homenagens não devem parar por aí. A ideia do secretário é que Luzia seja homenageada além do festival. E para isto, estuda-se uma parceria com a Universidade Federal da Paraíba.

“Pretendemos fazer uma pareceria com a UFPB, que estão com todos os áudios dela. Tudo foi gravado em fita cassete. Como temos o Museu da Imagem e do Som, uma das idéias é trazer futuramente estes áudios para cá”, explicou o secretário, ressaltando que é uma idéia ainda embrionária.

Contadora. Em 2001, para a Série Prosas e Versos - Contadores de Estórias do Laboratório de Estudos Etnomusicológicos (Labeet), da UFPB, o escritor Altimar Pimentel tratou Luzia como uma narradora de memória privilegiada.

“O ato de narrar a transmudava. Perdia a quietude natural, erguia os braços longos de mãos descarnadas em gestos definitivos a acentuarem a dramaticidade da cena descrita. Durante três anos vi-a narrar suas estórias, algumas, acredito, de sua criação; em todas, o guardado do povo nordestino, paraibano, repassadas por uma sensibilidade e formação religiosa bastante características”, escreveu.

Shows. Durante os quatro dias de festival, artistas de diferentes segmentos irão se apresentar na cidade. Na abertura,após a cerimônia de solenidade, haverá a apresentação do espetáculo teatral Violetas, da Cia Violetas de Teatro; o lançamento da exposição Mulheres que Pintam; e os shows de Cumadi ,dupla de Eletrococo da Paraíba, e de Natana e Marilene, dupla de Guarabira.

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