quarta, 21 de agosto de 2019
Exposição
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Exposição cria ambiente para contar a história catadoras de lixo

André Luiz Maia / 26 de setembro de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Onde o mundo vê o indesejável, o projeto Relix vê potência. É isso que movimenta a iniciativa do Instituto Origami, apoiado pelo Sesi, com o objetivo de promover a consciência ambiental através de várias frentes, inclusive a cultura. Este viés pode ser conferido de perto pelos paraibanos na ExpoliXX - A Força Cromossômica Feminina, aberta nessa  nos fundos do Teatro Santa Roza.

A intervenção artística se dá em um vão do viaduto que passa atrás do teatro. “Quando chegamos ao local, o espaço era utilizado como depósito pelo teatro, com bastante tralha, escorpiões, ratos. Fizemos uma requalificação do ambiente, que poderá ser usado de outras maneiras depois que a exposição sair de cartaz, daqui a um mês”, comenta Lina Rosa Vieira, idealizadora do projeto Relix.

Na exposição, são contadas as histórias de 11 catadoras de lixo, em depoimentos coletadas nos estados de Pernambuco e Alagoas. “O que elas fazem é exemplo, porque o que elas fazem contribui para a preservação do planeta. Contar essas histórias mostra a potência da nossa ação como ferramenta transformadora do mundo”, completa Lina.

Dentre as histórias apresentadas, está a de Ada, que hoje tem 25 anos. Vive em um lixão desde bebê, levada por sua mãe, Silviania. Ambas moram na mesma casa e criam toda a família ao redor do lixão, já que o pai está preso e resta a elas serem esteio daquele núcleo. As fotos são dos pernambucanos Helder Ferrer e Beto Figueiroa. Os universos se revelam como um labirinto embaixo do viaduto.

Ao visitar o espaço, a sensação é de viajarmos por um túnel de memórias e afetos. Ao invés de um espaço expositivo com fotos, a reconstituição do ambiente nos transporta, mesmo que seja de forma minimalista, para a realidade dessas mulheres. Elementos coletados pela própria Lina ajudam a compor uma cenografia única.

Cada sessão é dividida por cortinas feitas por tampinhas de garrafas pet. O processo de montagem durou cerca de um mês, em paralelo a outras atividades desenvolvidas pelo Relix na Paraíba. Enquanto o grupo higienizava peças e pensava na disposição dos elementos para criar uma experiência, o grupo de teatro do projeto apresentava em escolas o Espetaculix, dirigido por Osvaldo Gabrielli, com o objetivo de disseminar entre os estudantes o ciclo do lixo proposto pelo Relix, definido em 5 R's: recusar, repensar, reciclar, reduzir e reutilizar.

A peça será apresentada nesta quarta-feira (26) em três sessões no Santa Roza, às 9h, 15h e 19h. Na platéia, alunos da rede de ensino pública e do Sesi, catadores e suas famílias e ONGs e instituições ligadas à sustentabilidade e direitos humanos. A peça também deve ser apresentada no Parque da Lagoa no dia 14 de outubro, atraindo um público mais geral.

As ações não pararam por aí. A equipe colheu depoimentos e fez fotografias com catadoras de lixo daqui, que devem ser apresentadas em outros estados, já que o projeto é itinerante e deve chegar a mais lugares. Oficinas de capacitação também foram ofertadas às catadoras e cooperativas montadas por elas receberão bicicletas coletoras, apelidadas de ciclolix. Um aplicativo também será lançado, para que a população localize as cooperativas e pontos de descarte de lixo para que sejam devidamente reaproveitados.

O projeto conta também com parceiros da cultura paraibana. O grafiteiro e quadrinista Shiko, que também ilustrou as cartilhas do projeto, vai projetar cinco painéis em bairros diferentes de João Pessoa, abordando os 5 R’s da sustentabilidade.

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