terça, 13 de novembro de 2018
Exposição
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Artista plástica e tatuadora, Rayssa Medeiros expõe na Energisa

André Luiz Maia / 23 de fevereiro de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
A jovem Rayssa Medeiros tem apenas 19 anos, mas já sabe muito bem o que quer. Ou, ao menos, o que quer buscar. A exposição Curvas – Rabiscos de Amador faz um compilado de sua investigação dentro das artes visuais durante a adolescência, com resultado apresentado nas paredes do hall de exposições da sede da Energisa. A mostra fica até o próximo dia 9 de março.

A exposição faz parte do projeto Arte na Empresa, que desde 2008 apresenta trabalhos de jovens artistas paraibanos e radicados na Paraíba. Rayssa é de Patos, no Sertão do estado, mas viveu boa parte de sua infância em Natal, no Rio Grande do Norte, onde seus pais tinham um pequeno estabelecimento comercial.

Desde pequena, convivia com o mar e a natureza, algo que é bem evidente em algumas das doze obras expostas no hall da Energisa. O principal estímulo dentro de casa era sua mãe. “Ela via que eu gostava muito de desenhos animados e de desenhar. Ela comprava tintas, pincéis, lápis e papéis”, conta a artista.

Aos 14 anos, já em João Pessoa para cursar o Ensino Médio, começou a fazer um curso de desenho artístico no Centro Estadual de Arte (Cearte), com a professora Consolação Policarpo. “Ela me apresentou técnicas diversas, o que me ajudou a ir descobrindo meu próprio estilo. Percebi que curtia muito técnicas de repetição de formas e traços, além de lidar com o colorido das aquarelas”, conta Rayssa.

Nesta exposição, ela traz recortes da sua história, por meio de imagens que ilustram pessoas, lugares, situações e momentos que a transformaram. Seus desenhos possuem elementos de retratismo e abstracionismo, investindo no contraste de cores e na fluidez dos traços da aquarela, como águas de uma correnteza em fluxo constante.

Os suportes também são diversos. Seu primeiro material foi o papel, ainda na infância. Com o ingresso no Cearte, começou a lidar com as telas. Contudo, Rayssa começou a perceber bastante recentemente outros tipos de materiais adequados à sua forma de expressão.

“O MDF, aquela madeira compensada, foi uma surpresa para mim. Desconro que era uma superfície ótima para trabalhar, além de barata”, argumenta.

Uma pergunta que ela classifica como "difícil" é sobre as temáticas trabalhadas em sua arte e, mais ainda, suas inspirações.

"Tudo pode me levar a desenhar, as coisas que eu vivo no cotidiano. Uma música nova, uma peça de teatro que assisto”, revela.Por falar em teatro, a jovem artista segue carreira acadêmica na UFPB por essa área, participando de montagens e de espetáculos, outra fonte de inspiração.

Marcas. Outro suporte que Rayssa Medeiros descobriu como fundamental para seu amadurecimento artístico foi a pele humana. Ela é tatuadora e o ofício a fez perceber algumas questões.

“A tatuagem é o meio mais marcante de fazer uma obra de arte, pois aquilo ficará gravado na pele de uma pessoa por toda a vida”, explica.

Apesar de ainda ser considerada uma arte martginalizada, Rayssa se considera uma tatuadora de sorte. “Trabalho com reproduções também, mas 90% dos meus clientes entendem que sou uma artista e me procuram porque confiam em mim e no que eu quero expressar. Já tive, inclusive, uma experiência de tatuagem com mão livre, sem um desenho prévio. Foi algo libertador”, enfatiza.

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