segunda, 20 de maio de 2019
Cultura
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Exposição e show de Seu Pereira abrem a programação do Circuito Teeteto

André Luiz Maia / 14 de setembro de 2017
Foto: Divulgação
Música, dança, artes visuais, literatura, cinema e atividades culturais diversas se encontram no Centro Histórico de João Pessoa dentro da programação do Circuito Teeteto. O evento começa hoje e vai até domingo com boa parte de sua programação com eventos gratuitos. As atrações estão espalhadas por lugares como o Espaço Paralelo, Centro Cultural Espaço Mundo, Vila do Porto, IAB.pb e Teatro Santa Roza e é realizado de maneira colaborativa entre os criadores do site cultural Teeteto e os produtores e artistas locais.

Sidney Pereira, um dos produtores do circuito e criador do site Teeteto, explica como surgiu o projeto. “Normalmente, lançamos na quinta-feira nossas indicações culturais que rolam na cidade no site e nas nossas redes sociais. De maneira muito natural surgiu a ideia de materializar essa agenda com uma programação especial”, pontua.

Hoje, no Centro Cultural Espaço Mundo, o Sarau do Leia Mulheres João Pessoa e a exposição Desmedidas, de Alessandra Leão, são as principais atrações. Durante a programação, há a possibilidade de assistir ao monólogo Razão para Ficar, de Ana Marinho, ou ao espetáculo de dança Lebensform, da Paralelo Cia. de Dança, de maneira conjunta com as performances da banda Seu Pereira e Coletivo 401 no Teatro Santa Roza.

Seu Pereira está em um momento importante da carreira. Eles encerram um capítulo com a gravação desses shows, que devem resultar em um registro documental do sucesso que o grupo vem fazendo desde o lançamento do primeiro álbum homônimo em 2012, preparando terreno para o segundo disco, Eu Não Sou Boa Influência pra Você.

Algumas canções do raper tório do trabalho anterior são bem mais antigas que 2012 e resumem um período de 15 anos de experiências do grupo e de seu vocalista e compositor, Jonathas Falcão.

Por conta do espaço, o grupo decidiu trazer uma apresentação mais acústica. “Na verdade, eu substituo minha guitarra pelo violão. Não é exatamente acústico, mas a gente deve cantar de maneira menos explosiva”, pontua. Do repertório do Musa Caliente, projeto de verão da banda, eles devem cantar apenas “Moçambique” e “Carimbó da Penha”, no bis.

A programação do Circuito teeteto é variada e inclui ainda o espetáculo de dança Lebensform, da Paralelo Cia. de Dança. A ideia surgiu no fim de 2010 e trata-se do espetáculo que mais se enquadra no termo “dança contemporânea” do grupo. Tendo passado por algumas transformações – ele já chegou a se chamar Lebenswelf (mundo da vida, em alemão) – e questiona elementos da própria dança. “É um local de discutir o que chamamos de dança de legitimação. Qual dança legitima meu fazer, minha fala? Por que conheço a Beyoncé e não o Jackson, por que ela está muito próxima de mim nos movimentos mas o Jackson, que é daqui, não?”, pontua Joyce Barbosa, uma das integrantes da companhia.

O evento acontece no Centro Histórico, em sua maioria nas proximidades da Praça Antenor Navarro. Jonathas Falcão avalia a decisão de realizar o evento na região e relembra a conexão pessoal com o espaço. “Eu considero o Centro Histórico como o berço da gente. O primeiro show que fizemos foi no Espaço Mundo, a Vila do Porto é praticamente nossa casa, Nai também. É um espaço importantíssimo que está resistindo por causa da gente, por causa de produtores locais e pelos artistas. Acho muito importante o Circuito Teeteto ser no Centro Histórico”, explica.

Joyce, da Paralelo Cia. de Dança, também salienta a importância de ocupar o Centro Histórico. “Esse momento que a gente vive politicamente afeta a produção cultural diretamente, ao mesmo tempo em que evidencia o problema do modelo baseado em editais que nossa cultura vive. O Centro Histórico é uma referência. Ações como o Circuito Teeteto ajudam a gente a sair do lugar, se desestabilizar de maneira positiva”, completa a bailarina.

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