segunda, 17 de junho de 2019
Espetáculo
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‘Renato Russo – O Musical’ tem apresentação única neste domingo em JP

André Luiz Maia / 22 de julho de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
Renato Russo é um nome que representa muita coisa e conseguiu trespassar gerações. O ator Bruce Gomlevsky defende isso em Renato Russo – O Musical, apresentado neste domingo (22) em João Pessoa. A trajetória do músico que liderou a Legião Urbana e carregou consigo os anseios, angústias e amores de toda uma geração são contadas por um roteiro entrelaçado por 22 canções emblemáticas do cantor e compositor.

A peça estreou em 2006 e já conquistou no mesmo ano o prestigiado Prêmio Shell de Teatro, reconhecendo o trabalho o diretor Mauro Mendonça Filho, que também ajudou a construir a dramaturgia, assinada por Daniela Pereira de Carvalho.

Depois de um hiato de quatro anos (2010-2014), o espetáculo voltou aos palcos e permanece até hoje em cartaz. “Eu nunca tinha feito um espetáculo que tocasse o público dessa maneira. É uma experiência catártica para quem está assistindo”, pontua o ator Bruce Gomlevsky, em entrevista ao CORREIO.

Hoje, vemos uma enxurrada de musicais homenageando figuras importantes da cultura brasileira, como Elis Regina, Chacrinha, Cássia Eller, Hebe e, mais recentemente, Elza Soares, mas nem sempre foi assim. “Na época em que nos propusemos a fazer esse musical, isso não existia. De certa forma, a gente acabou sendo uma espécie de precursor desse movimento”, explica o ator.

Ao invés de uma estrutura grande, com múltiplos cenários e um corpo de baile, a abordagem de Renato Russo – O Musical é mais íntima. Bruce só conta com a companhia da banda Arte Profana, carregando consigo a responsabilidade de dar vida ao monólogo de uma hora e meia.

A história vai desde os primórdios, com os primeiros passos em Brasília, a banda Aborto Elétrico, os desencontros da vida pessoal, a chegada do filho Giuliano, sua declaração assumindo a homossexualidade e sua descoberta como portador do vírus HIV, desenvolvendo as complicações de saúde que levariam à sua morte, em 1996.

A ideia de fazer a peça veio do próprio Bruce, que procurou a dramaturga Daniela Pereira de Carvalho para escrever o texto. O trabalho de pesquisa para a elaboração do texto foi intensa, mas prazerosa.

“Eu sou um fã de Renato Russo, escutava ele desde o início da Legião Urbana, tenho coleções. O que eu não esperava é que Daniela fosse uma fã tão intensa quanto eu”, relembra Bruce. Os dois mergulharam no processo de maneira tão profunda que o ator afirma que é possível que eles tenham assistido, lido e ouvido todo o material jornalístico e documental disponível sobre Renato.

Uma das passagens curiosas que nem mesmo ele enquanto fã sabia sobre o ídolo era em relação a um momento muito delicado da adolescência de Renato Manfredini Jr., antes mesmo de desenvolver sua carreira artística sob a alcunha de Renato Russo. “Ele teve epifisiólise, uma doença óssea muito rara, que o manteve em uma cadeira de rodas por dois anos. Foi a partir desse momento de privação que ele começou a ler e ouvir música compulsivamente, o início de toda a trajetória que ele viria a desenvolver”, conta. O episódio, assim como o espetáculo, ajuda a entender um pouco da personalidade e de como Renato encarava a arte e a música.

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