terça, 19 de novembro de 2019
Espetáculo
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‘MANUELA’, da Cia. do feijão, mergulha na obra de Manuel Bandeira

André Luiz Maia / 29 de maio de 2019
Foto: DIVULGAÇÃO
No tempo em que nem mesmo a palavra “computador” era algo comum no vocabulário do brasileiro, qual seria o maior parceiro de um escritor de literatura? Sim, ela mesma, a máquina de escrever. Fascinada pela poesia de Mário de Andrade, a atriz Vera Lamy encontrava uma maneira de fazer um espetáculo que versasse sobre sua produção literária, até que encontrou a resposta em uma troca de cartas dele com Manuel Bandeira.

Assim surge Manuela, peça da Cia. do Feijão, de São Paulo, que é apresentada amanhã em João Pessoa, na Casa Amarela, sede do Coletivo de Teatro Alfenim. “Ele deu este nome à sua máquina de escrever em homenagem a Manuel Bandeira, alguém que ele tinha profunda admiração e com quem trocava correspondências para falar sobre literatura”, explica Vera, em entrevista ao Correio.

Este fascínio por Mário se deu por parte do processo rotineiro da construção de espetáculos da companhia, que relaciona literatura e teatro desde sua concepção, sendo assim um dos grupos mais renomados do país. “A gente já lia muito sobre Mário e outros poetas, mas eu realmente fui arrebatada por ‘A meditação sobre o Tietê’, que me fez ter a vontade de montar algo sobre ele”, relembra.

No (realmente) longo poema escrito no fim de sua vida, Mário de Andrade utiliza o Rio Tietê, em São Paulo, na época ainda preservando algum estado de conservação, para fazer uma reflexão sobre a sociedade e sua própria trajetória enquanto poeta. “Diferente da maioria dos rios, o Tietê não deságua no mar, ele vai secando e definhando até desaparecer na terra”, pontua Vera, que começava a se apaixonar pelo trabalho de Mário cada vez mais.Esse fascínio, obviamente, viria a se tornar um espetáculo ou, no mínimo, uma cena. Com a descoberta do apelido carinhoso dado por Mário à sua máquina de escrever, veio o estalo. “Eu queria contar uma história sobre ele a partir de outra perspectiva, sem ser a do próprio Mário, e encontrei na Manuela minha personagem perfeita”, justifica a atriz.

A dramaturgia se centra nas reflexões que a máquina e uma viola do escritório do poeta – antropomorfizados por Vera e pelo ator e músico Lincoln Antonio, respectivamente – fazem sobre seu companheiro das horas caladas da noite, assim como revelam as confissões feitas em cartas enviadas para figuras como um então jovem escritor de cerca de 20 anos chamado Carlos Drummond de Andrade.

Vera revelou ao Correio que a apresentação na Paraíba terá um elemento até então inédito em cena: o próprio Mário de Andrade, encarnado pelo ator Rodrigo Mercadante.

“MANUELA”

Da Cia. do Feijão (SP)

Nesta quarta-feira (29), às 18h.

Casa Amarela (R. Amaro Coutinho, 146, Varadouro, João Pessoa)

Entrada franca

 

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