terça, 02 de março de 2021

Espetáculo
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Espetáculo ‘Histeria’ estreia nesta sexta-feira no Teatro Paulo Pontes

André Luiz Maia / 28 de julho de 2017
Foto: Reprodução
Pouca gente sabe do encontro inusitado, quase surreal, entre o artista plástico Salvador Dalí e o psicanalista alemão Sigmund Freud, dois nomes importantes da cultura do século XX que, cada um à sua maneira, lidava com os mistérios da mente humana em seus respectivos trabalhos.

A história real serviu de base para o britânico Terry Johnson criar Histeria, uma divertida comédia que beira o absurdo. No Brasil, a tradução e adaptação para o teatro foram feitas por Jô Soares, que também dirige o espetáculo. Nos papéis de Dalí e Freud estão os atores Cássio Scapin (sim, o eterno Nino do Castelo Rá-Tim-Bum) e Norival Rizzo. O elenco ainda consta com os atores Érica Montanheiro e Milton Levy, interpretando personagens fictícios que ajudam no desenvolvimento da trama criada por Johnson. A produção informa que o ator Rubens Caribé poderá substituir Cássio sem aviso prévio em algumas das sessões, mas a previsão é que Scapin venha para a sessão única em João Pessoa. "São dois atores excelentes e realizam um Dalí da mais alta qualidade. Seja quem for, tenha a certeza que o público vai assistir a um trabalho domais alto nível e qualidade", garante Norival Rizzo, intérprete de Freud, em entrevista ao CORREIO.

Relatos dão conta de uma verdadeira paixão de Salvador Dalí pela obra de Freud, especialmente o livro A Interpretação dos Sonhos, que influenciou parte de sua produção artística logo depois. Antes do tão aguardado encontro, Dalí insistiu reiteradas vezes para vê-lo, mas Freud estava bastante doente, vítima de um câncer incurável de mandíbula. Bom, contextualizada a história, vamos à peça. Londres, 1938. Freud escapara da Europa nazista e busca refúgio na capital inglesa. Sabendo disso, Dalí move seus conhecidos para promover a sonhada conversa. Os detalhes do diálogo são desconhecidos, mas apenas a informação fez com que Terry Johnson tivesse meios de criar uma narrativa. O texto intercala momentos cômicos farsescos, o chamado vaudeville – gênero popular no século XIX nos Estados Unidos semelhante a um show de variedades – e cenas dramáticas.

Numa das sequências mais absurdas, Freud encontra-se segurando uma bicicleta coberta por caramujos, com uma das mãos presa dentro de uma galocha e com a cabeça enfaixada numa espécie de turbante. Quase um quadro surrealista. "Histeria é um espetáculo diferente, no qual tratamos alguns gêneros dramáticos. Jô Soares, como um verdadeiro maestro, soube conciliar todos esses gêneros num espetáculo só. A ideia é criar no espectador uma estranheza tal a ponto de se perguntar se aquilo tudo é real", pontua Norival Rizzo. Ao ser convidado, ele revela que o fato histórico também o pegou de surpresa, mas quando recebeu o convite para participar da peça, não pensou duas vezes. "Quando recebi o convite pra trabalhar com Jô Soares e com a Produção do Rodrigo Velloni, fiquei absolutamente encantado, pois se trata de cara de um trabalho que sugere a maior qualidade", avalia. Com a missão de dar vida ao psicanalista, começou a buscar mais informações para sua composição.

Estudante de psicologia por alguns anos, já tinha alguma familiaridade com o assunto, mas admite que a oportunidade de trabalhar no espetáculo lhe trouxe informações que não teria tido acesso de outra forma. Nesse processo, a direção de Jô Soares foi essencial. "Foi de fundamental importância pois trata-se de um artista completo: ator, diretor, autor, apresentador, humorista. Tudo o que orienta em cena só acrescenta ao nosso trabalho, pois além da segurança que nos dá, é um amigo que está do nosso lado sempre no sentido de realizarmos o melhor", completa Rizzo.

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