quinta, 27 de junho de 2019
Espetáculo
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Espetáculo ‘A Mulher Monstro’ entra em cartaz nesta quarta-feira

André Luiz Maia / 22 de maio de 2019
Foto: Assuero Lima
“Cuidado! Ela pode machucar”. Esta é uma frase que o ator José Neto Barbosa gosta de utilizar para alertar aos espectadores mais desavisados a respeito de A Mulher Monstro, monólogo que apresenta nesta quarta (22) e quinta-feira (23) em João Pessoa, no Parque Cultural Casa da Pólvora. Na sexta (24) e no sábado (25), é a vez de Campina Grande, com duas sessões na Sala Paulo Pontes, do Teatro Municipal Severino Cabral.

Com direção, dramaturgia, atuação, cenografia e figurino do próprio José Neto Barbosa, o monólogo também conta com a iluminação, sonoplastia e coordenação de palco de Sergio Gurgel Filho. Como base de sustentação, José Neto parte do conto Creme de Alface, escrito por Caio Fernando Abreu.

Enjaulada, a mulher destila um discurso odiento e hodierno, já que, como observa o ator, essa bestialidade faz parte de nosso cotidiano. “As pessoas estão muito mal-educadas, no sentido mais amplo. Para desrespeitar o outro é um passo, um minuto, uma fala e há um sentimento de impunidade sobre isso”, comenta.

O texto do espetáculo acaba sendo uma costura feita com base em comentários coletados por José na internet, em um processo que começou em 2015, bem antes da eleição do presidente Jair Bolsonaro, mas já diante da trincheira política instaurada pelo impeachment de Dilma Rousseff. Com o passar dos anos, a peça acabou se tornando uma crítica à atual presidência e, com isso, ganhou tanto apoiadores como detratores, gerando inclusive situações de tensão.

“As pessoas que não concordam com minha crítica feita pela obra não me respeitam como artista. Elas buscam me agredir, me difamar, me ameaçar. É estarrecedor ver uma pessoa que não me conhece pedir para que eu morra, simplesmente por eu estar fazendo uma peça que critica o atual presidente da República. Isso nos revela o quanto a educação é necessária”, analisa.

Visto por mais de 7 mil pessoas, o espetáculo ganhou repercussão nacional ao ser vetada da programação regular do Festival de Teatro de Curitiba, com apresentações canceladas.

“A gente tem que entender como funciona a censura e o veto nos dias de hoje. Há um projeto em curso para minar nossa democracia, mas ela não opera do mesmo jeito que antes. Não há uma censura aberta, ela está nos detalhes”, opina o ator.

Diante do cancelamento, ele decide levar sua peça para as ruas, resultando em diversas apresentações com centenas de pessoas na plateia. “Eu sinto que essa obra é muito necessária e que estou fazendo algo relevante na minha vida, seja para a democracia do país, seja para refletir sobre o que é o teatro hoje em dia”, complementa. No entanto, não é uma tarefa fácil.

Lá em Curitiba, José Neto Barbosa afirma que chegou a apresentar sintomas da síndrome do pânico. “Eu via os policiais ligando as sirenes das viaturas perto de onde estávamos apresentando, como uma forma de intimidar.

Na rua, diferente de uma plateia de teatro fechado, reagem de uma forma diferente à peça, tanto no apoio quanto ao repúdio. Foram momentos de tensão, mas essa peça também é uma forma de me superar, de eu mesmo encarar meus próprios monstros”, observa o ator.

“A MULHER MONSTRO”

Da SEM Cia. de Teatro

Nesta quarta (22) e quinta (23), às 19h30.

Centro Cultural Casa da Pólvora (Ladeira de São Francisco, Centro, João Pessoa)

Entrada franca

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