quarta, 03 de março de 2021

Espetáculo
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‘A Peleja do Fute’ é a ‘cordelização’ de texto de Machado de Assis

Clóvis Roberto / 13 de setembro de 2017
Foto: Divulgação
Uma “cordelização” do texto de Machado de Assis A Igreja do Diabo, de 1884, feita pelo diretor Fernando Teixeira como forma de homenagear o escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, autor de obras como Auto da Compadecida e Pedra do Reino .

O resultado é o espetáculo A Peleja do Fute, do Grupo Bigorna, que volta em nova temporada. “Eu fiz uma adaptação, uma ‘cordelização’ do texto de Machado de Assis. Uma vez Ariano Suassuna me disse que eu tinha criado o teatro armorial. Então, eu decidi fazer essa adaptação como forma de homenagear Ariano. Busquei elementos do cordel, do movimento armorial, mantendo o sentido do texto machadiano”, comenta Fernando Texeira. O diretor explica que fez uma interação de elementos da cultura nordestina na peça, como os folguedos, ao imaginário popular. O texto de A Peleja do Fute trabalha as fraquezas do homem e a luta do Diabo pela posse da sua alma. Trata-se da velha e sempre atual dualidade do bem e do mal, tão presente na vida e religiosidade nordestina.

O espectador certamente irá se divertir com a luta incessante e infrutífera do Diabo em conquistar o homem, mas também irá fazer uma reflexão sobre essa luta eterna. “A peça é um novo modelo. Mostra essa luta do bem e do mal”, comenta. A adptação de A Igreja do Diabo, assim como no texto original, o Diabo, cansado de sua inferioridade diante de Deus, tem a ideia de criar sua doutrina e fundamentá-la em uma igreja. Para levar adiante o seu projeto, o Diabo procura Deus e o avisa da proposta. Na cabeça do Tinhoso, o homem facilmente aceitará as suas leis. Surpreso, o Capeta não encontra resistência por parte do Divino. O Diabo, então, vai à Terra e afirma que todos os antigos conceitos religiosos eram falsos e que todos os pecados se tornam virtudes a partir de agora. E atrai seguidores para a sua nova igreja. Nessa doutrina, somente praticar a bondade é proibido, é considerado pecado. A Peleja do Fute mostra, no final, uma surpresa para o próprio Diabo.

Pé na estrada

O diretor Fernando Teixeira frisa que a ideia é iniciar uma turnê de A Peleja do Fute. “A ideia é sempre viajar com o espetáculo, mostrar para outros públicos, fazer maior interação. É um espetáculo com cenário simples, fácil de transportar.”, comenta.

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