terça, 13 de abril de 2021

Cultura
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Entrevista: Angela Ro Ro fala sobre seu novo disco

Kubitschek Pinheiro / 21 de outubro de 2017
Foto: Divulgação
Não é por acaso que o nome do novo CD de Angela Ro Ro chama-se Selvagem. Ela é um misto de cosmopolita e selvagem. Com a cabeça a mil, Ro Ro mostra que a criatividade é sua companheira. Ou seja, uma característica que se mantém inalterada em sua arte.

“Selvagem e nua. Eu estou me sentindo muito bem. Eu sou grata ao tecladista e parceiro Ricardo Mac Cord (que assina quatro parcerias nesse novo trabalho), fez esse disco comigo. Ele é metade desse CD: gravamos na casa dele e eu me metendo nos arranjos...”, disse ela, pelo telefone, de Saquarema, Rio, da casa que era de seus pais e onde a artista adorar passar temporadas.

Das 11 faixas, há uma em inglês: “Portal do amor”. “Essa música eu fiz quando tinha 23 anos e morava em Londres. Nesse tempo eu era muito pobrezinha, fazia faxina nos hospitais, nas casas. Eu precisava de grana para comprar um piano para compor", conta. "Na verdade, essa canção foi feita em três vezes. As duas primeiras foram feitas aqui no Brasil. Quando eu fui apresentada a Ana Terra, por Paulinho Lima, ela me disse que tinha uma letra pra mim. Quando eu vi, achei linda, gravei e aí veio a inspiração para os outros dois versos”.

Rock não é bolero e Angela Ro Ro prefere seu inferno a qualquer céu de brigadeiro. “Olha, o inferno pode ser dentro de uma boate, numa pista de dança, na calçada da praia, o inferno pode ser tudo, mas não quero falar de política. Eu prefiro o meu inferno, sozinha e em toda cidade”, diz ela sobre a letra da canção “Sai de mim”, a quarta faixa do disco.

Nos versos que encerram o xote “Parte com o Capeta”, a última do CD, ela assume que tem parte com ele sim. “Eu tenho sim, tenho parte com o capeta, com o anão, o chipanzé, com os anjos e com o amor”.

Aos 67 anos, trabalha com música todos os dias e diz que só vai parar quando morrer. Indagada se a canção “Retiro” é uma resposta ao tempo, ela dispara: “Eu não converso com o tempo. O tempo é um orixá e ele está lá”.

Não pense que a letra de “Maria da Penha” tem alguma coisa a ver com o bairro do Rio ou a santa. ”É a Lei, meu caro”, dispara. “Não há santa que aguente. É uma forma de abordar esse assunto cruel que é a violência contra a mulher. A mulher é vítima do mundo, já disse John Lennon. A mulher apanha em todo canto. Isso é muito ruim. O cretino ou a cretina, tem que pagar pelas porradas que dá”, afirma.

Não se sabe quando Selvagem vai virar turnê. “Olha, o mundo inteiro está numa confusão danada. Esquecem que cultura é diversão, que música é tudo, sem música não teria filme, não teria novela, não teria nada”.

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