terça, 01 de dezembro de 2020

Dia da Mulher
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Alforria para as escravas do lar que vivem preconceito

Bruna Vieira / 08 de março de 2016
Foto: Assuero Lima
Meninas, jovens, idosas. Juntas, elas somam 51,56% da população da Paraíba. Ser mulher pode não ser fácil, “mas é uma honra”. As conquistas femininas têm aumentado ao longo da história, mas, 48 anos depois da queima dos sutiãs nos Estados Unidos, há outras fogueiras que precisam ser feitas.

Elas ainda enfrentam o preconceito, o assédio e a sobrecarga das muitas tarefas que têm que assumir: mãe, esposa, trabalhadora, dona de casa. E ser dona de casa tem pesado muito na qualidade de vida e na saúde feminina. A divisão das tarefas domésticas está se tornando mais comum nas famílias, embora as mulheres reclamem que ainda não ocorra de forma justa.

Desde o início da união que dura dois anos, Sheila Rodrigues e o marido Daniel Castanho conversam sobre a divisão das tarefas de casa, mas, ela entende que ele ajuda como pode. O auxiliar de produção trabalha durante a semana e é nos fins de semana que ele busca compensar a falta em casa.

Mais presente, Elisângela Evangelista está satisfeita com a colaboração do marido Geovane Evangelista.

“Ele cozinha, lava louça, roupa e cuida do bebê. Mesmo nos dias em que trabalha ele ajuda, desde que nos casamos há oito anos é assim. Não tenho do que reclamar, mas, ser mulher ainda é difícil hoje de forma geral, porque o homem ainda acha que tem mais direitos. A mulher conseguiu espaço e se igualou aos homens. Queremos ser reconhecidas. É como dizem: não nascemos dos pés, para ser pisadas, nem da cabeça para sermos superiores, e sim da costela, para estarmos ao lado, iguais”, destacou a dona de casa.

Sexo frágil? Ser o sexo frágil soa absurdo para aquelas que se desdobram em jornadas triplas. A consultora de vendas Yasmin Enedino é o exemplo. Assume o papel de profissional, esposa e dona de casa. “Meu marido ajuda, quando quer. Nós mulheres temos que dar conta de tudo. O homem às vezes só de uma, que é trabalhar e não ajuda. Mas, temos conquistas. Há setores em que as mulheres se desenvolvem até melhor que  eles”.

Socióloga: “Apanhar de marido era besteira”

A socióloga Simone Maldonado sofreu na pele a culpa pela violência cometida pelo ex-marido. “Na década de 1970, quando precisei de ajuda não tive a quem procurar. Não havia delegacia da mulher e só havia delegados. O que ouvi na época é que eu deveria ter feito alguma coisa para ter apanhado. Ele sabia porque bateu e eu sabia porque apanhei. Apanhar de marido era besteira”, revelou.

Para Simone, a violência ainda está presente no cotidiano feminino. “Hoje continua mais ou menos do mesmo jeito. A diferença é que existe delegacia da mulher e esse aparato é um avanço. Mas, a mulher precisa tomar a frente, denunciar. Tem que contar as histórias. Não temos que ter raiva dos homens, não temos que lutar contra eles e sim contra a discriminação, a humilhação. Quer ofender um homem, chame ele de mulherzinha”, disse.

Ditadura da beleza. A socióloga acredita que é preciso combater a ditadura da beleza. “A autoestima feminina está baixa. É preciso acabar com a mística da feminilidade. De que beleza é ter cabelo longo, bumbum e seios grandes. Com o humor e piadas preconceituosas. Com o machismo nas propagandas, nosso corpo é usado para vender produtos. Hoje é bem mais fácil ser mulher do que na minha geração. Quando fazia pós-graduação, era a única mulher. Tirei nota máxima em uma disciplina e os boatos era que eu tinha um caso com o professor. Falta queimar o sutiã da desmoralização, das piadas, do assédio, na palavra, na música, nas redes sociais”, declarou.

Rotina adoece. As duplas, triplas jornadas sobrecarregam a mulher de cansaço, estresse e debilitam a saúde. “Essa é a pior coisa. Mas, os maridos estão cada vez mais companheiros. Do mesmo jeito que tem muito machão ainda, tem rapaz bom”, concluiu Simone.

Pensando nisso e, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o Hapvida Saúde realizará uma manhã especial, a partir das 8h, no Atacadão na BR-230, em Água Fria (JP). O objetivo é ressaltar a importância dos cuidados com a saúde.

Acontecerão atividades para as mulheres, como verificação da pressão arterial e teste de glicemia, além de distribuição de lanche e rosas.

Jornada. De acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada em dezembro pelo IBGE, os homens trabalham mais tempo em emprego (40,1 horas por semana), do que as mulheres (31,8 horas). A jornada total, que é a soma das duas modalidades é mais cruel para as mulheres, que passam 55,3 horas de labor por semana. E os homens, 49 horas.

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