sábado, 23 de fevereiro de 2019
Dança
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Símbolo sexual supremo como ‘Gilda’, Rita Hayworth completaria 100 anos

Renato Félix / 17 de outubro de 2018
Foto: Divulgação
O maridão leva o amigo para conhecer a esposa, vai abrindo a porta do quarto e perguntando: "Gilda? Está decente?". E ela, jogando a cabeleira para trás: "Eu?". "Nunca houve uma mulher como Gilda", prometia o cartaz do filme de 1946 que levava o nome da protagonista. Mas Gilda só era Gilda porque ela era Rita Hayworth, um dos maiores símbolos sexuais do cinema, e que completaria 100 anos nesta quarta-feira (17).

Gilda consolidou sua imagem de femme fatale, mas ela já era uma estrela da Columbia Pictures na época. Estreou no cinema aos 16, em 1935, fez vários pequenos papéis até se tornar protagonista no começo dos anos 1940. Mostrou que herdou o talento da família para a dança nos filmes que fez com Fred Astaire (Ao Compasso do Amor, 1941, e Bonita como Nunca, 1942) e Gene Kelly (Modelos, 1944), e apareceu sexy e com seus cabelos ruivíssimos no Technicolor de Sangue e Areia (1941).

Nova-iorquina do Brooklyn, no auge Rita mostrava pouco de sua origem latina. Nasceu Margarita Carmen Cansino, de pai imigrante espanhol (e dançarino de flamenco) e mãe americana. Hayworth é o sobrenome da mãe.

Depois da família se mudar para a California, fez um teste na Fox e estreou no cinema – como Rita Cansino. Foi na Columbia que Harry Cohn, o chefão do estúdio, farejando ali o potencial de estrela, mudou seu nome artístico, a fez passar por um processo de eletrólise para mudar seu cabelo, de morena passou a ser ruiva.

Rita se submeteu a isso, e começou a se destacar em papeis coadjuvantes em filmes como Paraíso Infernal (1939), de Howard Hawks.

A curva ascendente nos anos 1940 chegou ao máximo em Gilda, onde ela domina a tela completamente e é o centro de uma das cenas mais icônicas do cinema: o strip-tease sugerido ao som de "Put the blame on mame" (ela tira duas luvas e um colar, mas o tomara-que-caia, nos closes, sugere a nudez).

Triste 'Deusa do Amor'

Rita passou a ser conhecida como a "deusa do amor". Mas na vida real era mais complicado. Antes ainda se tornar uma estrela, aos 18 anos, ela se casou com seu empresário: de 1937 ao divórcio em 1942. Depois veio Orson Welles. O casamento aconteceu em 1943 e terminou em 1948, um ano depois de lançado A Dama de Shanghai, filme noir que Welles dirigiu e estrelou com Rita, e para o qual seu visual mudou radicalmente: cabelos curtíssimos e louros.

Após Os Amores de Carmen (1948), ela passou quatro anos longe das telas: havia partido para o terceiro casamento, desta vez com o playboy Aly Khan, o filho de um sultão paquistanês. O casamento, infeliz quase desde o começo, durou de 1949 a 1953.

O quarto casamento, com o cantor argentino Dick Haymes, durou de 1953 a 1955. E houve um sexto, com o prosutor James Hill, de 1958 a 1961.

Ao breve retorno de Rita no fim da gestão Aly Khan (Uma Viúva em Trinidad, 1952; Salomé, 1953; e A Mulher de Satã, 1953) seguiu-se novo hiato de quatro anos.

Foi o período em que emergiu uma nova estrela na Columbia: Kim Novak. As duas dividiram a tela no retorno de Rita, Meus Dois Carinhos (1957). Era um bom duelo, com Frank Sinatra no centro, mas a verdade é que a carreira de Rita não foi mais a mesma após Gilda. Seu último filme é A Divina Ira (1972), aos 54 anos. O mal de Alzheimer já começava a se manifestar. Ela morreu aos 68, em 1987, em Nova York.

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