terça, 17 de setembro de 2019
Dança
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‘Bagaço’ rememora espetáculo ‘Caldo de Cana’ com base em relatos e memórias

André Luiz Maia / 01 de junho de 2019
Foto: THERCLES SILVA / Divulgação
A busca por entender o modo de fazer dança na Paraíba acaba resultando em Bagaço, definido pelo +Um Coletivo de Arte como um "experimento cênico em processo". De volta aos palcos de João Pessoa, Bagaço está em cartaz no Teatro Lima Penante neste e no próximo fim de semana.

O espetáculo estreia em 2014, resultado de uma pesquisa iniciada anos antes pela bailarina Rafaella Lira. "Quando fui bolsista em projeto de extensão na UFPB, fiquei responsável pela organização do acervo da Fazendo Arte, escola fundada por Rosa. Descobri um caderno com anotações do espetáculo Caldo da Cana e fiquei muito impressionada com aquilo", pontua.

Caldo da Cana é uma montagem de 1984 do grupo Dança Livre, dirigido por Zett Farias, com coreografia de Rosa Cagliani (1957-2008), roteiro de W. J. Solha, direção teatral de Fernando Teixeira, música original de Carlos Anísio e Odair Salgueiro, executada pela Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Ao descobrir aquele universo, brotou no coração de Rafaella a vontade de fazer algum trabalho baseado naquilo. Como não havia registro completo do Caldo da Cana completo, a possibilidade de remontá-lo parecia inviável. Isso, no entanto, foi positivo, já que motivou o +Um Coletivo de Arte a estabelecer não uma remontagem, mas a criação de um espetáculo novo, através de um diálogo artístico com Caldo da Cana.

Em cena, estão os bailarinos Luna Dias, Maurício Barbosa, Rafaella Lira e Tânia Neiva, que assinam o processo coletivo de criação do projeto.

Rafaella salienta a importância da montagem. "Quando estudamos dança, temos um referencial mais nacional e internacional, então mostrar que a Paraíba, nos anos 1980, tinha um movimento de dança moderno, que dialogava com proposta moderna, é super importante. Fiquei surpresa ao ver figuras importantes para minha formação na dança, como Guilherme Schulze e Mauricio Germano, envolvidos com a montagem e que eu não fazia ideia", comenta a bailarina.

No desenvolvimento de Bagaço, o grupo precisou ir a campo, recolhendo o maior número de informações possíveis sobre a montagem. "Entrevistamos 13 pessoas que estiveram envolvidas diretamente no espetáculo original. Desenvolvemos cenas com base nesses relatos e é daí que surge o nome Bagaço, já que estamos trabalhando com os vestígios do Caldo da Cana, que, no caso da planta, seria o bagaço", explica Rafaella.

"BAGAÇO"



Da +Um Coletivo de Arte

Hoje e amanhã, às 19h.

Teatro Lima Penante (Espaço Cultural, R. Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho, João Pessoa)

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

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