quarta, 20 de janeiro de 2021

Crítica
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Hugh Jackman equipara Wolverine ao Shane do faroeste clássico

Renato Félix / 11 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Agora que estão sempre se interligando, os filmes de super-heróis precisam obedecer a um mínimo de padrão estético e de trama. Há variações de estilo e qualidade, como sempre houve até nos Tarzans de Johnny Weissmuller, mas, sem dúvida, Logan se destaca por sua, digamos assim, independência. O filme ainda está em cartaz em João Pessoa.

Hugh Jackman é Wolverine desde X-Men - O Filme (2000) e manteve uma relação fiel e devotada com o personagem, na saúde (X-Men 2, 2004; X-Men - Dias de um Futuro Esquecido, 2014) e na doença (X-Men - Origens: Wolverine, 2009). Esta é sua anunciada despedida do papel: tendo o herói envelhecimento mais lento e Jackman não, uma hora ele teria que parar.

Para esse momento, o diretor James Mangold conduz uma trama que coloca a trama no futuro (alternativo?) dos mutantes, em que eles estão praticamente erradicados. Logan, envelhecido e sem o vigor de outros tempos, ganha a vida como motorista de uma limusine de aluguel enquanto cuida de um professor Xavier (Patrick Stewart) beirando a senilidade.

É uma ambientação deprimeente e o filme não se preocupa com detalhes, dando pequenas pistas que como chegamos a esse ponto.

O que importa é que surge uma nova mutante que Wolverine precisa, a contragosto, proteger e conduzir a um santuário que ninguém sabe se existe mesmo.

O filme explora o lado paternal do personagem, que sempre rendeu bem. E, nesse ponto, possui uma ótima estreante em Dafne Keen.

Isso é combinado com um tom de desencanto que perpassa o filme inteiro. A partir de certo momento, o filme escancara uma relação interessante e bonita com o faroeste Os Brutos Também Amam (1953). Como Shane, Logan é um homem que não quer mais violência, mas é preciso fazer o que faz melhor para proteger quem não pode se proteger por si mesmo. E que, em paralelo, se torna a figura paterna que uma criança precisa.

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