sexta, 20 de julho de 2018
Cultura
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Cômico Buster Keaton ganha um box em DVD no Brasil

Renato Félix / 12 de janeiro de 2018
Foto: Reprodução
"Prefiro Buster Keaton". Muita gente boa vai lembrar o comediante americano quando surgirem elogios a Charles Chaplin por aí. Keaton é bem menos famoso hoje que o colega, mas sua obra é respeitável o suficiente para que assuma o posto para muita gente que conhece bem o cinema – e o cinema mudo em particular. Mais gente agora vai ter a oportunidade de descobrir o que tantos veem na figura de rosto impassível, que ganhou a marca de "homem que nunca ri" – mas que divertiu milhões. Uma impressionante caixa em DVD está sendo lançado no Brasil, reunindo, em oito discos, o essencial de sua obra.

A caixa reúne 32 curtas-metragens e 12 longas e médias, uma produção de 1917 a 1928. Começando pelo primeiríssimo filme de Keaton, o curta O Menino Açougueiro (1917). Filho de um casal de atores do vaudeville, Keaton começou cedo nos palcos, aos 4 anos. Aos 21 conheceu a estrela do cinema Roscoe "Fatty" Arbuckle, que o levou para atuar com ele nos filmes. Através desses primeiros curtas, a caixa é uma oportunidade de conhecer também o trabalho de Arbuckle, cuja carreira acabou em 1921, quando foi a julgamento pela morte da atriz Virginia Rappe, ocorrida em uma festa em sua suite.

Antes desse escãndalo do parceiro, a carreira de Keaton já caminhava com pernas próprias. Ele passou a produzir seus próprios filmes e a dirigir. Em 1923, passou a fazer também longas-metragens.

Como estrela, Buster Keaton assumia riscos inimagináveis para os padrões de hoje – talvez para qualquer padrão. Como aparecer sentado no ferro que conecta as rodas de um trem começando a se movimentar, em A General (1926).

Ou a cena em que está de pé, em frente a uma casa e a parede simplesmente vira sobre ele. Seu personagem é salvo por estar justo no local onde cai a janelinha do alto da parede. A cena de Marinheiro de Encomenda (1928) foi feita com uma parede verdadeira: se os cálculos estivessem errado, ele seria esmagado.

Como cineasta, Keaton também experimentava riscos. Em O Homem das Novidades (1928), o que seu personagem cameraman registra acaba virando um filme experimental.

Este foi o primeiro filme que Keaton fez sob contrato com a MGM, o fim de sua independência enquanto asrtista. Coincidiu com a chegada do cinema sonoro. Assim, a caixa acaba sendo o registro da fase essencial de Buster Keaton, a que fez história no cinema.

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