sábado, 23 de janeiro de 2021

Cultura
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Com 300 bailarinos em cena, ‘Coppélia’ será encenada nesta quarta em CG

André Luiz Maia / 13 de dezembro de 2017
Foto: Divulgação
Uma pequena aldeia polonesa guarda um segredo envolvendo uma boneca com aparência humana. Esta é a premissa do espetáculo Coppélia, que traz a dança clássica em seu cerne. Ele é encenado hoje e amanhã no Teatro Municipal Severino Cabral, em Campina Grande. No corpo de baile, alunos da Escola de Dança do Severino Cabral e participações especiais de bailarinos do Balé Cidade de Campina Grande. A direção é de Romero Mota.

A montagem organizada pelo curso de dança é feita praticamente na íntegra, com pequenas adaptações. “Em balé de repertório, nós não podemos mexer em muita coisa, a não ser que a proposta seja realmente algo inspirado. O máximo que podemos fazer é enxugar um pouco, para evitar que o espetáculo fique longo demais e se torne um pouco cansativo para quem está assistindo”, esclarece Erasmo Rafael, produtor da montagem e diretor do Severino Cabral.

A história é ambientada na pequena aldeia de Cracóvia, na Polônia e apresentada em três atos. A produção conta com dois cenários apresentados em telões, além de elementos cenográficos que simulam as paredes de uma casa de madeira.

No primeiro ato, somos apresentados a Swanilda, a jovem mais bonita da aldeia. Apesar disso, um dia ela flagra seu noivo Franz galanteando uma jovem moça que mora na casa do Dr. Coppelius. Enfurecida, ela decide se vingar.

Franz descobre por acaso a existência da jovem, que passa o dia inteiro dedicada à leitura na sacada de uma das janelas da casa de Coppelius, um fabricante de brinquedos que é acusado na surdina de se envolver com bruxaria. Ele manda beijos, a convida para dançar e faz convites para passeios, mas ela não esboça uma reação. Ao ser flagrado por Swanilda, têm uma briga feia.

Os acontecimentos da história fazem com que Swanilda fique obcecada em descobrir quem é aquela jovem que despertou o interesse de Franz. O que ela não esperava encontrar era uma série de bonecos autômatos, com tamanho igual ao de humanos.

Coppélia, o interesse romântico de Franz, era a principal criação de Coppelius, que queria lhe dar vida através de mágica. Para isso, o doutor pretende usar o espírito de Franz. “Apesar disso, é uma peça leve, com momentos cômicos”, pontua Romero Mota, diretor da montagem.

A montagem é grandiosa. São 300 alunos da Escola de Dança, que reúne também bailarinos do projeto Dança Cidadã e o projeto Homens na Dança. Além disso, também estarão presentes no palco como convidados Marina de Freitas, Marley Lucena, Cas Silva, Rebeca Farias, Jessica Oliveira, Natalia Rodrigues e Pedro Guimarães, do Balé Cidade de Campina Grande, também administrado por Romero.

O espetáculo é o resultado de um ano inteiro de preparação e funciona como uma espécie de avaliação final dos conhecimentos adquiridos pelos alunos em sala de aula. “Eu costumo dizer que a sala de aula não é o único lugar em que se aprende dança, você precisa colocar seus alunos no palco para que eles vivenciem aquela experiência”, explica Romero Mota.

Esta não é a única experiência que os alunos tiveram ao longo de 2017. Algumas turmas mais avançadas participam da Mostra Campinense de Dança e também participam de aulas públicas, que ajudam a criar uma dinâmica com plateias. Apesar de ser um espetáculo de dança, Coppélia possui uma narrativa delineada. Para isso, houve um diálogo com os professores do curso de teatro. “A gente levou os bailarinos que interpretaram Coppélia, Franz e Swanilda, principalmente, para fazer uma preparação cênica com os professores, já que seus papéis exigem uma certa dramaticidade e expressividade”, completa o diretor.

A experiência, de acordo com Romero, tem sido satisfatória. Sua experiência de três anos à frente da Escola de Dança tem rendido boas experiências. "É uma responsabilidade grande, mas é gratificante lidar com os sonhos dessas crianças, estabelecer possibilidades de realizá-los, auxiliá-los no processo", comenta Romero Mota.

Outro aspecto importante do projeto é que há um braço de responsabilidade social, com o Dança Cidadã. Em uma parceria com a Prefeitura Municipal de Campina Grande, são oferecidas bolsas totalmente gratuitas para crianças com poucos recursos financeiros, impossibilitados de arcar com os custos da escola regular.  “É importante deixar claro que não há distinção, eles todos trabalham juntos e quanto estão no palco, são todos bailarinos artistas”, completa o diretor do espetáculo.

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