sábado, 06 de março de 2021

Cultura
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Clássico ‘Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas’ completa 50 anos

Renato Félix / 30 de julho de 2017
Foto: Divulgação
O cinema americano passava por mudanças dramáticas nos anos 1960. Os estúdios perderam força e os diretores passavam a ter mais poder para escolher as histórias que queriam contar e de que modo. O ano de 1967 foi o ponto de virada, principalmente por causa de Bonnie & Clyde, conhecido no Brasil, na época, como Uma Rajada de Balas, que completa 50 anos na próxima sexta. Comente no fim da matéria.

Aparentemente, seria um revival dos filmes de gangsters que fizeram a história da  mesma Warner nos anos 1930, baseado na história real do famoso casal de assaltantes (vivido por Faye Dunaway e Beatty). Mas o produtor e astro Warren Beatty, o diretor Arthur Penn e os roteiristas David Newman e Robert Benton, subverteram as regras.

Adicionaram humor, mais violência (um tiro disparado e a pessoa atingida no mesmo plano, o que não se fazia), insinuações de sexo (entre elas, a arma como um símbolo fálico) e um tom de rebeldia jovem que fez o filme casar direitinho com a contracultura que estava surgindo. O filme bebia na fonte da modernidade narrativa da nouvelle vague francesa (Truffaut e Gidard foram convidados para dirigir o filme).

Beatty teve que lutar com o estúdio para fazer o filme. O chefão Jack Warner não gostou nada do resultado e meteu o lançamento em drive-ins. O filme saiu de cartaz, mas voltou com sucesso de público e crítica. Concorreu a 10 Oscars.

Uma geração de ouro

Bonnie & Clyde influenciou uma série de filmes, de O Poderoso Chefão (1972) a Thelma & Louise (1991). Junto com A Primeira Noite de um Homem (1967), de Mike Nichols, inaugurou uma década de ouro em Hollywood.

Uma nova e atrevida geração de diretores surgia ali, com maior poder sobre seus projetos. Foi a época de Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão), Martin Scorsese (Caminhos Perigosos, 1973; Taxi Driver, 1976), Peter Bogdanovich (A Última Sessão de Cinema, 1971), William Friedkin (Operação França, 1971; O Exorcista, 1973), Steven Spielberg (Encurralado, 1971; Tubarão, 1975; Contatos Imediatos do Terceiro Grau, 1977), George Lucas (THX-1138, 1971; Loucuras de Verão, 1973; Guerra nas Estrelas, 1977), Dennis Hopper (Sem Destino, 1969). Penn faria também Pequeno Grande Homem (1970), Nichols faria Ânsia de Amar (1971).

Esses filmes tocavam diretamente em temas ainda tabus, como sexo e drogas, eram contestadores do establishment americano e/ ou tinham uma ousadia narrativa empolgante. E muitos faziam sucesso com o público, um sucesso que os estúdios não conseguiam entender.

Mas tudo chega ao fim. Os diretores começaram a dar passos maiores que as pernas e colheram fracassos que atrapalharam suas carreiras. Spielberg e Lucas, com um cinema mais escapista, escaparam da sina, mantendo o sucesso até hoje.

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