terça, 24 de novembro de 2020

Cinema
Compartilhar:

Sônia Braga foi a estrela dos primeiros dias do Festival de Gramado

Renato Félix / 30 de agosto de 2016
Foto: edison vara/ DIVULGAÇÃO
O filme brasileiro mais comentado do ano caminhou mais um degrau: a abertura do Festival de Gramado, fora de concurso. Aquarius, no centro de uma polêmica política envolvendo o governo (até o fechamento desta edição) interino, acusado de retaliações contra o filme por causa dos protestos da equipe contra o impeachment no Festival de Cannes, em maio, vai colhendo elogios e viu sua atriz principal, Sônia Braga, brilhar na serra gaúcha.

Mas ela não brilhou só. Andréia Horta foi aplaudida de pé por sua interpretação da maior cantora do Brasil em Elis, o destaque do primeiro fim de semana na mostra competitiva de longas brasileiros. Enquanto Aquarius já está com estreia nacional para esta quinta (os cinemas paraibanos ainda não confirmaram a estreia, exceto o Banguê, que o anunciou para setembro, mas sem precisar a data), Elis tem estreia nacional prevista para 24 de novembro.

Elogiado pela imprens ainternacional e premiado em festivais na Austrália e, esta semana, na Holanda, Aquarius traz consigo o signo do enfrentamento. Sua trama é a de uma mulher que insiste em permanecer em seu apartamento, em seu velho prédio, embora todos os vizinhos já tenham vendido os seus para uma construtora.

Em Cannes, a equipe posou no tapete vermelho com cartazes em que denunciavam o impeachment como golpe e trataram do assunto em entrevistas, repercutindo o assunto na imprensa internacional. O caso reverberou na comissão montada pela Secretaria do Audiovisual (do MinC) para escolher o filme que vai tentar, pelo Brasil, uma indicação ao Oscar de filme de língua não inglesa.

A nomeação para a comissão do crítico paulista Marcos Petrucelli, que fez críticas no Facebook à equipe de Aquarius por conta do protesto, causou mal estar na comunidade cinematográfica. O que se seguiu foi a saída de três dos principais filmes da competição (Boi Neon, de Gabriel Mascaro; Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert, este ainda em cartaz em JP; e Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba), em solidariedade a Aquarius, e de de dois membros da comissão, o cineasta Guilherme Fiúza Zenha e a atriz Ingra Lyberato.

Como se não bastasse, o Ministério da Justiça classificou o filme como proibido para menores de 18 anos, decisão muito questionada. No Palácio dos Festivais, o cli ma foi hostil para o governo, com gritos de “Fora, Temer” e de “golpista” para o ministro da Cultura, Marcelo Calero, e para o secretário do Audiovisual, Alfredo Bertini.

Elis abriu a competição, sábado, e mostra uma cantora que teve que brigar para se afirmar em um ambiente machista. Como na peça Elis, a Musical, o filme também evita a polêmica sobre o consumo de drogas que, no fim, a mataria aos 36 anos.

Andréia Horta não canta: é a voz de Elis que se ouve. Mas ensaiou muito os trejeitos da cantora para repeti-los em cena. Deu certo: foi aplaudida de pé ao final da sessão e é, desde já, uma forte concorrente ao Kikito de melhor atriz do festival.

Relacionadas