quinta, 19 de outubro de 2017
Cinema
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Sessão de cinema especial encanta crianças autistas em João Pessoa

Lucilene Meireles / 21 de março de 2016
Foto: Lucilene Meireles
A agitação, típica de crianças autistas, deu lugar a muitos olhinhos atentos à telona ontem, durante uma sessão especial, no Cinepólis, do Mangabeira Shopping, que reuniu cerca de 100 pessoas, incluindo os pais. Os pequenos, muitos pela primeira vez, assistiram à animação ‘Epa! Cadê o Noé?’, em horário exclusivo. A organização foi da Associação dos Pais, Amigos e Simpatizantes do Autista da Paraíba (Asas-PB), que está programando novas idas ao cinema em breve. Não há estatísticas sobre o número de autistas no Brasil. No mundo, são cerca de dois milhões. Todos serão lembrados em 2 de abril, Dia Mundial do Autismo.

Cauã e Lucas, ambos com 7 anos de idade, estavam no meio da criançada e ficaram encantados. “Ele já tinha ido uma vez numa sessão especial de cinema, mas ficou mais em pé que sentado. Minha expectativa é que vindo com mais frequência passe a conhecer melhor e, quem sabe ter um comportamento mais tranquilo”, disse a dona de casa Margareth Cabral, mãe de Cauã.

Maria do Socorro Lima Salviano, mãe de Lucas, ficou impressionada com o comportamento do filho. “Ele não anda, mas costuma ficar muito agitado quando fica parado. Hoje é a primeira vez que o trago ao cinema e a calma dele está me surpreendendo. Espero que tenhamos outras sessões como esta”, declarou.

Diretora administrativa da Asas e mãe de um garoto de 8 anos que também é autista, Ceylla Pereira destacou que esta não foi a primeira experiência do tipo na Paraíba, mas a clínica que havia organizado as duas primeiras sessões não fez mais. Segundo ela, a Asas observou que havia as crianças especiais precisavam de uma sessão só para elas.

"Nossa ideia surgiu do anseio dos pais de quererem levar os filhos e não conseguirem. O cinema é muito escuro, tem som muito alto e requer um comportamento que as crianças não têm que é ficar sentados, em silêncio. Há essa necessidade de levar nossos filhos e deixá-los mais à vontade. Esperamos fazer com mais frequência. A procura foi muito grande”.

Ainda falta conscientização

Aparentemente, as crianças autistas são normais, mas quando as pessoas percebem o comportamento diferente, muitas olham com desdém, dificultando a inserção dos pequenos na sociedade e a participação nas atividades junto com as demais crianças.

“Falta conscientização das pessoas. Fisicamente o autista é perfeito, diferente de uma criança com Síndrome de Down. Muitas vezes, quando saímos e eles têm determinado comportamento, quem vê de fora acha que é falta de educação, dizem que é falta de ‘peia’. Eles têm preferência na fila, mas as pessoas não entendem que eles não têm tolerância. Em locais públicos, não sabem que o lanche é do outro e pegam. Nos ônibus, não conseguem ficar em pé, têm que sentar. Às vezes, são agressivos, porque não conseguem se comunicar”, explicou Ceylla Pereira.

Segundo ela, há casos em que a própria família exclui, não chama para festas porque eles batem em outras crianças. “Eles não têm compreensão do mundo ao redor e não sentem que estão sendo rejeitados, mas nós, pais, sentimos muito.

A Asas acompanha 12 crianças, até 11 anos, com atividades focadas no lado pedagógico. Ceylla explicou que o trabalho para o adolescente é diferenciado, e precisaria de uma estrutura que a Associação não dispõe, como oficinas profissionalizante, atividades manuais.

Programação - Dia Mundial do Autismo

Uma caminhada vai marcar o Dia Mundial do Autismo em João Pessoa, que acontece no sábado, 2 de abril, a partir das 17h. A concentração será no Busto de Tamandaré, praia de Tambaú.

 

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