segunda, 18 de janeiro de 2021

Cinema
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Refilmagem de ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ é uma das estreias nacionais

André Luiz Maia / 09 de novembro de 2017
Foto: Divulgação
Os cinemas de João Pessoa recebem neste fim de semana nada menos que três estreias nacionais dentro da programação, que não conta com filmes estrangeiros novos. Isso é um reflexo do fortalecimento da produção brasileira para o formato, com opções para todos os gostos.

Clássico do cinema nacional e até poucos anos um recorde de ingressos no país, Dona Flor e Seus Dois Maridos é baseado no igualmente célebre livro de Jorge Amado. O original de 1976 foi lançado quando o diretor Bruno Barreto tinha apenas 20 anos e a produção chegou a ser indicada ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, mas perdeu a competição para Sonata de Outono, de Ingmar Bergman. Por conta disso, a tarefa de fazer um remake do filme era um desafio grande, tanto para o diretor da empreitada, Pedro Vasconcelos (O Concurso), quanto para a estrela da produção, Juliana Paes, que reinterpreta um papel que ficou marcado pela atuação de Sônia Braga.

A história já é conhecida pelo público. Dona Flor era casada com o mulherengo, fogoso e malandro Vadinho (Marcelo Faria, que interpretou o papel no teatro), até que um dia ele morre. Depois de algum tempo de viuvez, decide se aproximar de uma figura diametralmente oposta ao seu ex-cônjuge: o corretíssimo Dr. Teodoro (Leandro Hassum).

Tudo vai bem até um determinado ponto, já que Flor, embora goste muito de seu novo companheiro, sente falta do jeito conquistador e caloroso de Vadinho. O desejo de tê-lo de volta faz com que ele literalmente reapareça, na forma de um fantasma completamente pelado que só ela vê. É o início de um triângulo amoroso complexo e bem-humorado.

As primeiras impressões da crítica são mornas, ressaltando problemas na estética da produção. "Há um quê de artificialidade nesta nova adaptação, que simplesmente não encaixa com a história. Visualmente, isso se manifesta na fotografia, com planos excessivamente elaborados que mais distraem o público do que ajudam a narrativa", salienta Thiago Siqueira, em review para o site Cinema com Rapadura.

O site também destaca como ponto positivo a entrega de Juliana Paes para interpretar com competência um personagem icônico. A atriz, por sinal, deu entrevistas para a imprensa afirmando que a decisão por fazer um remake era de aproximar o público mais jovem da história. "A gente sentiu que tinha uma geração inteira que apenas ouviu falar em Dona Flor e Seus Dois Maridos".

Esta geração, por sinal, também deve ir aos cinemas por conta de outra estreia nas telonas. É o filme Gosto se Discute, nova produção estrelada pelo fenômeno do YouTube Kéfera Buchmann. A atriz tenta mostrar uma nova faceta, voltada para um público mais adulto do que o atingido por É Fada, lançado no ano passado.

A trama gira em torno do conflito do chef Augusto (Cássio Gabus Mendes) e a auditora do banco (Cristina) por conta de um restaurante decadente. Ela é enviada para gerenciar o lugar, que enfrenta a concorrência de um food truck. Para complicar, a tensão faz o chef perde o paladar.

Polêmico

A terceira estreia da semana é Vazante, dirigido por Daniela Thomas. Todo em preto e branco, o filme é ambientado na Diamantina (MG) do século XIX e conta a história do fazendeiro Antonio, que descobre após voltar de uma viagem que sua mulher morreu em trabalho de parto. Para suprir a falta de uma figura feminina na casa, ele busca se casar com Beatriz, uma menina.

A produção incomodou atores, críticos, professores e ativistas negros durante o Festival de Cinema de Brasília. Durante um debate com a diretora, eles afirmaram ver certa insensibilidade do filme, por trazer uma narrativa focada em personagens brancos em pleno período de escravidão. Mas críticos saíram em defesa do filme.

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