segunda, 18 de janeiro de 2021

Cinema
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Quinze anos sem Billy Wilder

Audaci Junior / 27 de março de 2017
Foto: Divulgação
Se for para definir "genialidade" em Hollywood, um dos primeiros nomes que poderia ser muito bem lembrado é do diretor e roteirista norte-americano Billy Wilder. Nesta segunda-feira (dia 27), completam-se 15 anos da morte do cineasta que era mestre tanto na carga dramática quanto em fazer o público rir.

Se o velho Hitchcock dizia que seus atores são como gado, Wilder sempre reclamava de uma estrela específica, a eterna musa Marilyn Monroe, cujo set e a paciência foram divididos em “O Pecado Mora ao Lado” (1955) e “Quanto Mais Quente Melhor” (1959).

“Sempre me perguntam se eu voltarei a trabalhar com Marilyn e eu tenho uma resposta pronta. Discuti isso com meu médico, meu psiquiatra e meu contador e todos acham que estou muito velho e bastante rico para me submeter a algo semelhante”, chegou a disparar o diretor, que também reclamava de seus atrasos. Mas ponderava que, apesar de tudo, no fim valia a pena quando se viam as imagens na tela: a câmera a amava. “Ela era um absoluto gênio como comediante, com um extraordinário senso para o diálogo cômico”.

Wilder não teve desentendimentos apenas com o elenco. Nos bastidores, Wilder já se aborreceu com o renomado romancista Raymond Chandler na sua parceria do roteiro de “Pacto de Sangue” (1944). “Eu conhecia o ofício melhor do que ele. Eu bebia depois das quatro da tarde. Eu transava com garotas mais jovens”, enumerava o diretor na época.

Constelação é que não faltava para brilhar nas suas lentes. Além da sex symbol loira, passaram pela direção de Wilder nomes como Gloria Swanson (em “Crepúsculo dos Deuses”, 1950), Audrey Hepburn (“Sabrina”, 1954, e “Amor na Tarde”, 1957) e Marlene Dietrich (“Testemunha de Acusação”, 1957).

Pelo lado dos astros, podemos citar Humphrey Bogart (“Sabrina”), William Holden (“Crepúsculo dos Deuses”, “Sabrina”, “Inferno n° 17”, 1953, “Fedora”, 1979), Tony Curtis (“Quanto Mais Quente Melhor”), James Stewart (“Águia Solitária”, 1957), James Cagney (“Cupido Não Tem Bandeira”, 1963) e Gary Cooper (“Um Amor na Tarde”).

Mas o ator que mais trabalhou com Wilder é e Jack Lemmon, em sete filmes: “Quanto Mais Quente Melhor”, “Se Meu Apartamento Falasse” (1960), “Irma La Douce” (1963), “Uma Loura por um Milhão” (1966), “Avanti! Amantes à Italiana” (1972), “A Primeira Página” (1974) e “Amigos, Amigos, Negócios à Parte” (1981), o último filme do diretor.

Diferente de outros realizadores como o já citado Hitch, Wilder não foi ignorado pela Academia: ganhou dois Oscars de melhor direção (em oito indicações): um em “Farrapo Humano“ (1945), drama sobre o alcoolismo, e outro por “Se Meu Apartamento Falasse”. Ambos ganharam também o Oscar de melhor filme.

Como roteirista, ganhou a estatueta dourada pelas tramas de “Crepúsculo dos Deuses”, “Se Meu Apartamento Falasse” e “Farrapo Humano”. No total geral, foram 21 indicações em mais de meio século de carreira cinematográfica.

De origem judaica, Wilder fugiu para Paris por causa da ascensão de Hitler, em 1933. Chegou aos Estados Unidos, sem falar inglês. Começou como roteirista em filmes como “Ninotchka” (1939), com Greta Garbo, antes de assumir a direção com “A Incrível Suzana” (1942).

Seu último filme é de 1981, mas poderia ter sido diferente: queria dirigir “A Lista de Schindler”, mas Steven Spielberg preferiu realizar o projeto ele mesmo. Segundo o cineasta, seria seu filme mais pessoal.

Billy Wilder – o gênio – morreu de pneumonia, em 2002, aos 95 anos.

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