quarta, 12 de maio de 2021

Cinema
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‘Os incríveis’ de volta com a Mulher Elástico no comando

André Luiz Maia / 27 de junho de 2018
Foto: Divulgação
Exatos 4.971 dias separam a sequência Os Incríveis 2 do filme original, lançado em 2004. O intervalo de quase 14 anos, o maior de uma sequência dos estúdios da Pixar, não desanimou os fãs do filme, garantindo assim à nova produção com a Família Pêra a maior bilheteria da história de filmes animados dos Estados Unidos. Amanhã, os brasileiros poderão conferir esta nova aventura.

Três meses depois de derrotarem Síndrome, Beto, Helena, Violeta, Flecha e Zezé continuam a usar seus superpoderes, mas quando a tentativa de parar um assalto a banco sai do controle, as autoridades de Metroville decidem suspender as atividades do programa de super-heróis e todos eles precisam viver sob seu alter-ego permanentemente.

Tudo muda quando um entusiasta de super-heróis e magnata da comunicação oferece uma nova oportunidade a Helena. Ela devia se apresentar com sua identidade de Mulher-Elástica em uma ação de publicidade para reaver o apoio e a confiança da população nos supers. A partir daí, os papéis se invertem. Enquanto ela sai pelas ruas enfrentando o crime, é Beto quem precisa cuidar da casa e dos filhos.

Esta é a quarta sequência de uma animação de Pixar que inverte as posições entre protagonista e coadjuvante. Antes, vieram Carros 2 (2011), quando Mate assume o lugar de Relâmpago McQueen; Universidade Monstros (2013), invertendo os papéis de Mike e Sully; e Procurando Dory (2016), quando o peixinho-palhaço Marlin dá espaço para que a desmemoriada Dory brilhe.

Por incrível que pareça, esta é apenas a quarta vez que uma personagem mulher protagoniza um filme da Pixar, sendo os outros três Valente (2012), Divertida Mente (2015) e Procurando Dory (2016). Este fato e o tema da "inversão" de papéis que a própria dinâmica do filme apresenta acabam tornando o filme bastante atual e antenado com o que está acontecendo na realidade.

No entanto, evita-se colocá-lo como um filme de mensagem política. “É pura sorte estarmos vivendo este momento de #metoo e Time’s Up. Por outro lado, obviamente, já passou da hora de discutir estes temas e eles aparecem de forma natural em Os Incríveis 2. Mas com Helena é, também, uma transformação de personagem, fundamental para a história seguir adiante”, afirmou a atriz Holly Hunter, que empresta sua voz à Mulher Elástica na dublagem original, em entrevista ao jornal O Globo.

Turbulência. Apesar dos quase quinze anos entre os dois filmes, a produção acabou sendo conturbada. O diretor Brad Bird tinha a ideia de escrever uma sequência com o Sr. Incrível como dono de casa e da Mulher Elástica como a responsável pela renda da casa há muito tempo, mas demorou algum tempo até o projeto tomar forma de fato.

A produção de Os Incríveis 2 começa pouco tempo depois do término de Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada É Impossível (2015). Inicialmente programado para ser lançado em junho de 2019, a produção teve de ser adiada, trocando de lugar com Toy Story 4, outra sequência aguardada da Pixar, que teve sua produção atrasada. Outro problema de percurso foi o afastamento de John Lasseter, chefe do estúdio de animação, após acusações de assédio sexual.

No entanto, o diretor afirmou em coletiva de imprensa que o filme não é uma tentativa barata de arrancar dinheiro dos entusiastas do primeiro filme. “Há um ditado dentro deste negócio que não suporto, que é: ‘você não faz uma sequência, você faz dinheiro’. Meu Deus, sabe, dinheiro não é o que me faz acordar toda manhã. Fazer algo que as pessoas ainda vão gostar daqui a 100 anos é o que me anima realmente. Então, se o motivo fosse dinheiro, não teríamos levado 14 anos. Não faz sentido financeiro, esperar tanto tempo. É muito claro que nós tivemos uma história que queríamos contar dessa vez”, apontou.

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