quarta, 12 de maio de 2021

Cinema
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O terror ‘As Boas Maneiras’ e a comédia ‘Uma Quase Dupla’ estreiam hoje

André Luiz Maia / 19 de julho de 2018
Foto: Reprodução
Ao longo dos anos, a variedade de temáticas e de gêneros cinematográficos produzidos no Brasil foi se expandindo. Duas estreias de hoje nos cinemas paraibanos demonstram essa pluralidade temática.

Uma Quase Dupla é mais um da safra dos filmes de humor, gênero que responde pelos maiores sucessos nacionais de bilheteria já há algum tempo. A diferença é Cauã Reymond, que aqui aparece ao lado de Tatá Werneck neste registro cômico – algo que ele já tinha feito na TV, mas ainda não na telona. Já As Boas Maneiras traz Marjorie Estiano no elenco, porém mergulha em um conto de terror moderno regado de críticas sociais.

A comédia de Tatá e Cauã já era de conhecimento do público que acompanha ambos nas redes sociais, já que a dupla compartilhou muitas mensagens de carinho na época das gravações do longa, que nasceu após uma ideia do próprio Cauã. A direção é de Marcus Baldini, de Bruna Surfistinha.

“Esse filme foi feito por muitas mãos. Além de direção e produção, a Tatá convidou alguns roteiristas que trabalham com ela no Lady Night (programa do Multishow) para afinar o roteiro”, afirmou Reymond, em entrevista a Fabiana Schiavon, da Folha de S. Paulo.

A premissa da história é simples. Uma série de assassinatos muda a rotina da pequena cidade de Joinlândia, no interior do Brasil, e, para solucionar os crimes, chamam a experiente investigadora carioca Keyla (Tatá Werneck). Contra a sua vontade, ela se vê formando dupla com o ingênuo subdelegado da cidade, Claudio (Cauã Reymond). Essa interação e o choque de personalidades é que são o motor do humor do filme.

A dupla Juliana Rojas e Marco Dutra, antes unida no projeto Trabalhar Cansa (2011), volta a desenvolver um filme juntos com As Boas Maneiras. Apaixonados pela temática do horror, os diretores já haviam desenvolvido obras com referências ao gênero individualmente, como Sinfonia da Necrópole (de Rojas) e Quando Eu Era Vivo (de Dutra).

A fábula de um lobisomem em São Paulo ajuda a ilustrar as tensões sociais da cidade em um terror que vem sendo elogiado pela crítica. A portuguesa Isabél Zuaa interpreta a babá Clara, contratada pela rica Ana (Marjorie Estiano) para auxiliá-la durante a gravidez e o período inicial do seu futuro bebê. O que seria um emprego como qualquer outro acaba se tornando um pesadelo quando Ana começa a se comportar de maneira estranha, com uma fome por carne incomum.

A lenda do lobisomem é usada aqui com uma leitura bem brasileira. A partir de uma crendice popular, de que a criatura surgiria de uma relação carnal entre um padre e uma adúltera. No entanto, o foco do terror acaba não sendo o “monstro”, mas sim um perigo bem mais real: a própria teia de relações urbanas e as tensões entre centro e periferia.

“Não vemos São Paulo como um mal. Mas uma questão sempre foi as contradições sociais dela. É uma cidade viva, mas com energia agressiva. E ainda tem esse imaginário de ser a cidade do trabalho. Tudo tem a sua perversidade, seja a cidade ou os personagens”, pontua Juliana Rojas, em entrevista a Inácio Araújo e Guilherme Genestreti, da Folha de S. Paulo.

 

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