segunda, 25 de janeiro de 2021

Cinema
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Documentário “Axé – Canto do Povo de um Lugar” entra em cartaz

André Luiz Maia / 26 de janeiro de 2017
Foto: Divulgação
Amado por multidões, odiado por bastante gente. O gênero axé music divide paixões e embala as festas de Carnaval por todo o país desde quando estourou nacionalmente, há mais de 30 anos. Por isso mesmo, para contar essa história, o diretor baiano Chico Kertész traz muita música e depoimentos de artistas que ajudaram a construir o gênero para as telas do cinema em Axé – Canto do Povo de um Lugar, que estreia hoje em João Pessoa.

Exibido pela primeira vez na cidade durante o Fest Aruanda, em dezembro do ano passado, o filme faz um retrospecto, indo até as origens do gênero musical da Bahia, desde a periferia negra com os batuques de origem africana, a instituição da chamada “guitarra baiana” e os primeiros sucessos massivos, que estouraram primeiro nas ruas, depois nas rádios de Salvador, se enraizaram pelos interiores e, finalmente, atingiram os grandes centros culturais e econômicos do país, alçando vôos mais altos até o exterior.

Apesar de estar rodando há algum tempo pelos festivais e sendo apresentado em exibições especiais, o diretor Chico Kertész afirma que nada substitui a reação espontânea do público que vai ao cinema assistir ao filme. “Eles pagaram para estar ali, não estão por uma circunstância. Fui a umas cinco sessões em Salvador, entrei depois que o filme já havia começado e ver o povo se divertindo e cantando as músicas junto é uma sensação incrível”, comenta, em entrevista ao CORREIO.

O rol de artistas que aparecem dando depoimentos é de encher os olhos, a começar por Caetano Veloso, além de Margareth Menezes, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Bell Marques, Carlinhos Brown, dentre outros. Também há histórias de bastidores com músicos, produtores e radialistas da época, comentando inclusive sobre o famoso “jabá”, a verba paga pelas gravadoras para que certas músicas tivessem espaço privilegiado na programação radiofônica.

Por conta desses momentos, o filme se destaca por não ser apenas uma “biografia” celebratória do axé, mas também por tocar em feridas e levantar questões, ainda que superficialmente. “Não tinha como retratar uma história de 30 anos sem mágoa, queixas, conflitos e apagamentos históricos. Não podíamos fazer um filme chapa branca”, defende o diretor.

Mas o filme termina sob ponto de vista otimista. É um apanhado afetuoso da trilha sonora de muitos Carnavais, que fizeram a cabeça de crianças, adolescentes e adultos de diversas gerações.

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