sexta, 27 de novembro de 2020

Cinema
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Nova versão de Ben-Hur estreia amanhã nos cinemas da PB

Renato Félix / 17 de agosto de 2016
Foto: Divulgação
A história do nobre de Jerusalém que vira escravo, exilado e depois volta para enfrentar seu algoz numa épica corrida de bigas, ganhou status de lenda no cinema americano, graças à versão de 1959 que faturou 11 Oscars e até hoje é recordista do prêmio. Agora, Ben-Hur ganha uma nova versão, que estreia amanhã nos cinemas brasileiros. Para os brasileiros, o interesse a mais na escalação de Rodrigo Santoro como Jesus.

Esta versão vem turbinada com os efeitos do cinema moderno, incluindo ser em 3D. O diretor é o cazaque Timur Bekmambetov (cujo retrospecto não é lá essas coisas: dirigiu O Procurado, 2008, e Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros, 2012). No papel principal está o inglês Jack Huston, neto do grande cineasta americano John Huston.

Ele interpreta Judah Ben-Hur, falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo, Messala (Toby Kebbell), um oficial do Império Romano. É o começo da sua história de sofrimento, que vai culminar no duelo na arena romana.

A corrida de bigas é o grande momento da versão de 1959, estrelada por Charlton Heston, e a cena é influente até hoje (inspirou, por exemplo, a corrida de pods de Star Wars – A Ameaça Fantasma, 1999). O que muita gente não sabe é que esta também é uma refilmagem: a primeira adaptação do romance de Lew Wallace (lançado em 1880) veio em 1907, e a primeira grande versão é a (ainda muda) de 1925.

Em sua trajetória, os caminhos de Ben-Hur se cruzam com um certo hebreu tratado como o Messias e perseguido por Roma. A escalação de Rodrigo Santoro para o papel de Jesus é curiosa porque o rosto de Cristo não aparece e nem se ouve sua voz na versão que William Wyler dirigiu em 1959. Era uma forma de tratá-lo de maneira mais misteriosa e fantástica e seguia uma antiga tradição do cinema mudo.A nova versão toma outra direção.

A relação entre Ben-Hur e Messala também será uma curiosidade. Na versão de 1959, décadas depois Gore Vidal, que colaborou com o roteiro, contou que havia um subtexto homoafetivo entre os dois personagens: Messala teria traído Ben-Hur porque a relação entre os dois havia acabado. E que Stephen Boyd, que interpretou Messala, sabia disso, mas Charlton Heston não. E o filme, claro, não toca no assunto nestes termos. Os dois personagens, na nova sinopse, são tratados como irmãos adotivos. É mais um ponto de comparação para a ousadia de refilmar um filme mítico.

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