quarta, 03 de março de 2021

Cinema
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Mostra Cinema e Direitos Humanos exibe filmes sobre o tema na UFPB

André Luiz Maia / 23 de maio de 2017
Foto: Divulgação
João Pessoa recebe até a próxima sexta a 11ª edição da Mostra de Cinema e Direitos Humanos. As exibições acontecem no Cine Aruanda do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da UFPB. A entrada para todas as sessões é gratuita para o público. Comente no fim da matéria.

A programação apresenta três filmes paraibanos na programação. Ilha, de Ismael Moura, e Praça de Guerra, de Edi Junior, são exibidos na quarta-feira, dentro da Mostra Panorama. Na sexta, também na Panorama, é a vez de Manancial, de Bruno Sales.

Em Ilha, pai e filho vivem isolados do mundo. A história gira em torno dos distúrbios mentais do filho e da incapacidade do pai em compreender suas angústias. Praça de Guerra se passa em Catolé do Rocha, contando a história de um grupos de jovens que se rebelaram em plena ditadura, cometendo atos ditos subversivos pelos militares, tendo como ápice a tentativa de organizar um foco de guerrilha armada na Serra do Capim-Açú, na zona rural da cidade.

Já Manancial traz uma temática sobre meio-ambiente, ao mostrar a história de um jovem sertanejo que busca se reconectar com a natureza, contrariando as pessoas de sua idade, entretidas com futilidade.

Documentário mira o Oscar

Outro destaque da programação é a exibição de filmes em homenagem à cineasta Laís Bodanzky. Seu olhar sensível para assuntos do cotidiano ou para questões pesadas como drogas e distúrbios mentais produziram filmes que se encaixam com a proposta da mostra. Um deles é Chega de Saudade. Ambientado em um clube de dança para a terceira idade em São Paulo, acompanhamos sua rotina, desde quando abre suas portas, ainda com a luz do sol, até o fim do baile, pouco antes da meia-noite, quando o último frequentador desce as escadas.

Nesse meio tempo, diversas histórias se entrelaçam, nenhuma delas tomando o protagonismo para si, já que este é do próprio baile. O elenco é robusto, contando com nomes como Maria Flor, Stepan Nercessian, Betty Faria, Cássia Kis Magro, Jorge Loredo, Selma Egrei, Stepan Nercessian e Tônia Carrero, versando especialmente sobre a temática da velhice – física, porém não mental.

Um de seus filmes de maior repercussão também estará na mostra, Bicho de Sete Cabeças, centrado na jornada de Neto, um adolescente interpretado por Rodrigo Santoro. Como quase todo garoto de sua idade, ele embarca em pequenas rebeldias, como pichar os muros da cidade com os amigos, usar brinco e fumar maconha. No entanto, essas ações são motivo de preocupação de seus pais conservadores (Othon Bastos e Cássia Kis Magro) que, por não saberem lidar com o comportamento de Neto, decidem interná-lo em uma clínica psiquiátrica. Lá, o jovem lida com uma realidade com a qual nunca teve contato e sofre na pele os horrores de um tratamento psiquiátrico desumanizante.

A programação da Mostra de Cinema e Direitos Humanos também conta com um filme que está sendo cogitado para concorrer ao Oscar de Melhor Documentário, Menino 23 – Infâncias Perdidas No Brasil. Tijolos marcados com a suástica nazista são encontrados no interior de São Paulo, a ponta do fio de um novelo que desvela uma história macabra.

No filme, acompanhamos a investigação do historiador Sidney Aguilar, que aos poucos descobre que durante a década de 1930, cinquenta meninos negros foram levados de um orfanato do Rio de Janeiro para uma fazenda paulista com o objetivo de serem escravizados. Comandada por membros da elite cultural do estado simpáticos ao regime alemão de Adolf Hitler, a fazenda serve como uma simulação do que eles queriam implantar no Brasil. Com base nos relatos de dois sobreviventes dessa tragédia, Aloízio Silva (o “menino 23”) e Argemiro Santos, assim como a família de José Alves de Almeida (o “Dois”), são revelados detalhes do ocorrido.

Mas também há espaço para temáticas mais leves, especialmente na Mostrinha, dedicada a filmes para crianças. Dentre os curtas exibidos, estão Iemanjá Yemoja: A Criação das Ondas, contando a lenda da Rainha do Mar para as religiões afrobrasileiras, que tem como missão devolver à terra as sujeiras jogadas pelos homens na água. Para os apaixonados pela Turma da Mônica, outra boa notícia: alguns dos curtas da série Mônica Toy, dirigidos por José Márcio Nicolosi, serão exibidos na mostra.

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