sexta, 27 de novembro de 2020

Cinema
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Bourne: Matt Damon retorna ao papel do assassino em busca de seu passado

André Luiz Maia / 28 de julho de 2016
Foto: Divulgação
Não espere grandes novidades do retorno de Matt Damon ao papel do espião Jason Bourne, no filme homônimo que retoma a saga quase dez anos após a última aparição do ator no papel, após O Ultimato Bourne (2007). A produção chega aos cinemas paraibanos a partir de hoje.

Aqui, o cenário de perseguição promovido pela agência de inteligência norte-americana persiste, algo que acontece em todos os filmes da franquia, até na malfadada tentativa de ressuscitá-la, em 2012, com O Legado Bourne, que trazia Jeremy Renner como outro “exemplar” de Bourne.

Hollywood passa por um período de ressaca criativa, preferindo apostar em velhos medalhões repaginados ao se arriscar em trazer novos rostos e histórias. Somente nesse mês, houve o reboot de Caça-Fantasmas e, na semana passada, o novo filme de Tarzan, para citar dois exemplos muito recentes.

No entanto, a crítica reconhece que a execução do filme dentro do gênero, a ação, continua excelente, uma das marcas que o diretor Paul Greengrass imprimiu nos segundo e terceiro filmes da série (Supremacia, de 2004; e Ultimato, de 2007).

Outro mérito, ainda de acordo com as críticas até agora, é trazer discussões atuais da espionagem para o roteiro – afinal, já se passaram quinze anos desde A Identidade Bourne (2002) e o avanço tecnológico acelerado trouxe outras questões.

Sua parceira Nicky Parsons (Julia Stiles) finalmente o encontra perdido na Grécia e apresenta documentos que provam a participação de seu pai no treinamento que transformou o protagonista em um assassino sem identidade a serviço da CIA. Para tentar mostrar essa informação ao mundo, ela recorre ao  ciberativista radical Christian Dassault (o alemão Vinzenz Kiefer) – qualquer semelhança na relação com Edward Snowden e o WikiLeaks de Julian Assange não é mera coincidência.

Isso acaba irritando o atual diretor da agência (Tommy Lee Jones), que investe todo o seu poderio na caçada à dupla, capitaneadas por um agente que se sente traído por Bourne, interpretado por Vincent Cassel. A onipresente Alicia Vikander também aparece aqui como uma chefe de tecnologia da CIA.

O que pesa contra o filme é sua estrutura. Em linhas gerais, é a mesma trama de todos os filmes anteriores, que foi vista também em seriados como 24 Horas: a perseguição implacável.

Mas a tentativa de trazer discussões mais profundas a respeito da vigilância e da espionagem que, depois do episódio do WikiLeaks, cresceu a níveis inimagináveis, só reafirmou a contemporaneidade da história de Jason Bourne.

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