domingo, 16 de junho de 2019
Cinema
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‘Kiriku – Os Homens e as Mulheres’ estreia no Cine Banguê

André Luiz Maia / 25 de junho de 2016
Em uma época em que há o debate público a respeito da representatividade negra na cultura de maneira geral, uma boa opção de entretenimento é a série de animação francesa Kiriku. Embora seja dirigida pelo francês Michel Ocelot, as histórias são todas baseadas na mitologia dos países africanos, algo a que os brasileiros ainda têm muito pouco acesso.

O filme mais recente da série, Kiriku – Os Homens e as Mulheres, será exibido hoje e amanhã no Cine Banguê, sempre às 16h. Na história, o pequeno Kiriku é criado em uma pequena aldeia nos recônditos da África Ocidental, cercado pelos mistérios do folclore da região.

Somos apresentados a pequenas fábulas sobre temas como compaixão, generosidade, respeito e perdão, centralizadas na figura de Kiriku, contadas por seu avô, o Homem-sábio da Montanha.

A exposição do diretor às histórias africanas se deu por conta de sua intensa convivência com o continente. Nascido em Costa Azul, na França, mudou-se com apenas seis anos para a República da Guiné, onde morou alguns anos, retornando à França apenas durante as férias escolares.

A animação simples e manufaturada do primeiro filme da trilogia, Kiriku e a Feiticeira, dá lugar a uma animação mais refinada no terceiro filme.

“O primeiro nasceu inteiramente da minha cabeça, e eu estava tão imerso na tradição africana que escrevi o roteiro em uma semana. Para os demais, e para Os Homens e as Mulheres, recorri a colaboradores, que me ajudaram a escrever o roteiro. O desenho artesanal também foi computadorizado, mas eu não abro mão de estabelecer o conceito, o desenho de cada personagem, e a paleta de cores”, declarou Ocelot, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo durante o lançamento oficial no Brasil, no ano passado.

Em uma das histórias, os moradores da aldeia ficam chocados ao entrarem em contato com um estrangeiro de costumes completamente diferentes. O estranhamento e a agressividade voltada contra o diferente servem de analogia precisa para todas as discussões contemporâneas no mundo ocidental, e uma maneira de introduzir esses debates às crianças sem dificuldade de compreensão.

A história é dividida em cinco partes. As primeiras fazem referência às histórias de Kiriku e a Feiticeira (1998) e Kiriku e Os Animais Selvagens (2005). A terceira é a que se refere à chegada do estrangeiro tuareg ao vilarejo, enquanto a quarta se centra na figura da contadora de histórias. A última, que deságua na tradicional cena final com música, mostra as habilidades musicais do pequeno Ki.

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