segunda, 25 de janeiro de 2021

Cinema
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‘Hiroshima, Mon Amour’ será exibido na Fundação Casa de José Américo

André Luiz Maia / 01 de março de 2017
Foto: Divulgação
Um encontro entre França e Japão através do cinema. Hoje, o Cineclube O Homem de Areia, da Fundação Casa de José Américo (FCJA), exibe uma produção conjunta dos dois países: Hiroshima Mon Amour, do renomado diretor Alain Resnais, opção para os cinéfilos e curiosos de João Pessoa em clima de pós-Carnaval. A exibição contará com os comentários do crítico de cinema Wills Leal.

Depois de se ter dedicado durante 10 anos a curtas-metragens documentais, Resnais acabou fazendo sua primeira ficção quase que por acaso. Com base no argumento da escritora Marguerite Duras, a ideia inicial era fazer um documentário sobre a reconstrução de Hiroshima depois da destruição provocada pelo lançamento da primeira bomba atômica da História pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, no meio do caminho, se tornou um filme que fala de maneira poética sobre o tempo e a memória e como esquecer acontecimentos traumáticos para continuar vivendo.

Como protagonistas estão uma atriz francesa, interpretada por Emmanuelle Riva (que décadas depois faria Amor, de Michael Haneke), e um arquiteto japonês, vivido por Eiji Okada. Ela vai a Paris para trabalhar em um filme sobre a paz. Durante sua estadia, flerta com o arquiteto. Ambos casados, passam dois dias juntos tentando vivenciar cada momento.

Considerado uma das obras mais representativas do cinema francês, o filme fez uso de um recurso que hoje é comum, mas na época ainda era inédito: o flashback, fundamental para a construção de uma narrativa não-linear. No entanto, o filme também foi carregado de polêmica na época de lançamento, por conter algumas críticas consideradas ofensivas a descendentes de alemães. Por conta disso, o filme foi retirado da competição oficial do Festival de Cannes em 1959, apenas sendo apresentado e sem poder concorrer a Palma de Ouro como os outros.

O ator Eiji Okada interpretou seu personagem sem saber uma palavra em francês. Ele foi treinado para pronunciar cada sílaba das palavras de maneira adequada e decorou sua parte.

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